#compartilhe

CUT/Vox Populi: Lula lidera com 28% em São Paulo, governado há 23 anos pelo PSDB

Thumb lu Publicada em 20/12/2017, 10:44

A pesquisa Cut/Vox Populi divulgada na sexta-feira (15) mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera não só no cenário nacional com 38% nas menções espontâneas, mas também no estado de São Paulo, governado há 23 anos pelo PSDB.

Com 28% das intenções de votos dos paulistas,Lula fica duas posições à frente do atual governador tucano Geraldo Alckmin, que conta com apenas 11%. Mais uma vez, as pesquisas mostram que Lula é o favorito do povo brasileiro, deixando os pré-candidatos da direita golpista a ver navios.

Não só no estado de São Paulo, mas Lula lidera com folga também no cenário nacional chegando a 45% na estimulada, deixando Alckmin ainda mais para trás em quarto lugar, com apenas 6%. Envolto em denúncias de fraudes como o “trensalão” e em meio a uma guerra interna no PSDB, Alckmin tem um desempenho sofrível neste levantamento.

A pesquisa

No plano nacional, em um cenário com cinco postulantes à Presidência, Lula lidera com 45% do voto estimulado, seguido por Bolsonaro (15%), Marina Silva (7%), Alckmin (6%) e Ciro Gomes (3%). Brancos e nulos somam 14%. Não responderam 11% dos entrevistados.

Em São Paulo, neste mesmo cenário, Lula lidera com 28% do voto espontâneo, seguido por Jair Bolsonaro (com os mesmos 15%) e Alckmin (11%). Marina Silva tem 5% das intenções de voto e Ciro Gomes, 2%. Brancos, nulos e indecisos somam 40%.

Em um cenário com dez candidatos na corrida presidencial em 2018, Lula lidera com 43% do voto estimulado em todo o País. Na sequência, vem Bolsonaro (13%), o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (7%), Marina Silva (5%), Alckmin (4%) e Ciro Gomes (2%).

O senador Álvaro Dias e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, figuram, cada um, com 1% das intenções de voto. Manuela D’Ávila e o empresário João Amoêdo não chegaram a pontuar. Brancos, nulos e indecisos totalizam 24% do eleitorado brasileiro.

Em São Paulo, nesse mesmo cenário de dez postulantes, Lula segue na liderança com 28% do voto estimulado. Na sequência, vem Bolsonaro (14%) e Alckmin (9%). Marina Silva e Joaquim Barbosa somam, cada um, 4% das intenções. Ciro Gomes tem 1% e os demais candidatos não chegaram a pontuar. Brancos, nulos e indecisos somam 40%.

No voto espontâneo, Alckmin também figura em terceiro lugar. No Brasil, Lula lidera com 38% das menções, seguido por Bolsonaro (11%), Alckmin e Marina Silva, com 2% cada um deles. Em São Paulo, o petista segue na dianteira com 26%, à frente de Bolsonaro (11%) e do governador paulista (5%). A ex-ministra Marina Silva segue em 2% das intenções.

Vox Populi consultou, de 9 a 12 de dezembro, 2 mil brasileiros com mais de 16 anos de idade, residentes em 118 municípios de todos os estados e do Distrito Federal, em áreas urbanas e rurais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

 

Fonte: Agência PT de Notícias com CartaCapital


Lula detém 65% da intenção de voto dos piauienses

Thumb lula Publicada em 17/07/2018, 14:09

Pesquisa Opinar mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como favorito entre os eleitores do Piauí na corrida para o Palácio do Planalto. 

A pesquisa do Instituto Opinar - divulgada nesta terça-feira (17) no Jornal do Piauí - revela que Lula tem 65,53% das intenções de voto para a Presidência da República. No levantamento anterior, o petista tinha 69% das intenções de voto.

A pesquisa mostra a expectativa do eleitor piauiense para as eleições deste ano. Foram ouvidos 1.082 eleitores em 51 municípios do estado. 

Os números estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para Presidente e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para Governo e Senado. O levantamento ocorreu no período de 12 a 14 de julho.

Cenário sem Lula

Em pesquisa estimulada e em um cenário sem o Lula, os três candidatos Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Jair Bolsonaro(PSL) aparecem empatados tecnicamente com percentual de 9%. 

A pesquisa tem margem de erro de 2,97% para mais ou para menos. O instituto entrevistou 1.082 eleitores em 51 cidades do estado no período de 12 a 14 de julho. 

Clique e confira a pesquisa completa

 

Fonte: cidadeverde.com


DataFolha confirma: Lula 2018 é imbatível na preferência do povo!

Thumb geisa1 Publicada em 31/01/2018, 12:15

A mais recente pesquisa Datafolhadivulgada nesta quarta-feira (31) pelo jornal ‘Folha de S.Paulo’, confirma o que a meses já se sabe: quando o assunto é a preferência dos brasileiros e brasileiras e as intenções de voto para as Eleições 2018 Lula é imbatível e segue liderando com ampla vantagem sobre seus virtuais concorrentes.

Contra todos as dezenas de rivais testadas pelo instituto, Lula tem entre 34% e 37% dos votos no primeiro turno e ganha de todos também no segundo turno.

Quando confrontados com Lula, os virtuais presidenciáveis escolhidos pela mídia não têm a força eleitoral do petista. O segundo colocado, deputado Jair Bolsonaro (PSC), tem de 16% a 18% das intenções de voto. Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), aparecem empatados com entre 6% e 7%. Já Marina Silva (Rede) fica com entre 8% e 10%.

Com entre 47% e 49% de intenção de votos no segundo turno nos cenários estudados, Lula segue derrotando com ampla margem os nomes a ele contrapostos. Vence contra Alckmin (que teria 30%), Marina (32%), Bolsonaro (32%) e Ciro (32%).

O povo quer Lula na urna!

Divulgada uma semana depois do acórdão do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que manteve a condenação do ex-presidente, a pesquisa mostra que, apesar da perseguição política, da condenação sem provas, e do que tentam fazer alguns juízes e desembargadores, o povo quer Lula na urna!

Tanto que o percentual de eleitores e eleitoras que afirma não saber em quem votar ou que declara voto branco ou nulo sobe de 16% para 28% caso Lula seja impedido de se candidatar. O número é dez pontos percentuais mais alto do que nos cenários em que o ex-presidente é estudado. E isso, destaque-se, não se da por conta de desconhecimento dos nomes sugeridos.

Em nenhum outro levantamento de intenção de voto para presidente já feito pelo instituto em ano eleitoral observou-se uma taxa tão elevada de brasileiros e brasileiras com a pretensão de votar em branco ou anular o voto. E o que acontece quando se exclui o nome de Lula da disputa.

Folha de S.Paulo

É por isso também que, sempre de acordo com o instituto, um candidato indicado por Lula também lideraria contra todos. Votariam com certeza em um candidato indicado pelo ex-presidente 27% dos eleitores, enquanto o deputado Jair Bolsonaro tem 18% das intenções de voto.

Nem mesmo os ataques político e midiáticos cotidianos conseguem eclipsar a força do legado de um governo que ousou pensar no povo, fez diferente e transformou a realidade de milhões de brasileiros e brasileiras.

Para o PT, não hã alternativa ou plano B. Lula é o candidato do partido. Recorrerá a todos os tribunais e lutará nas ruas e nas cortes contra a condenação injusta e espúria sem provas.

Ainda assim, a tentativa midiática de tirar Lula do páreo se ilustra também na impressionante lista de nomes apresentados como alternativa ou virtuais concorrentes. Extensa, inclui até apresentadores globais e ex-ministros, com nomes como Jair Bolsonaro (PSC), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Joaquim Barbosa (Sem partido), Alvaro Dias (Podemos), Fernando Collor de Mello (PTC), Manuela D’Ávila (PCdoB), Paulo Rabello de Castro (PSC), João Amoêdo (Partido Novo),  Guilherme Boulos (sem partido), Henrique Meirelles (PSD), Luciano Huck (Sem partido).

 

Perdendo força políticas pesquisa a pesquisa, o deputado Jair Bolsonaro parou de crescer especialmente após a divulgação de aumento de patrimônio da sua família desde o início de sua carreira política – fato de que têm conhecimento 34% dos entrevistados segundo o Datafolha. O parlamentar recorreu ao TSE para tentar barrar a publicação do resultado.

*

Foram realizadas 2.826 entrevistas pelo instituto Datafolha em 174 municípios brasileiros entre os dias de 29 e 30 de janeiro. Os resultados apresentam margem de erro de dois pontos para cima ou para baixo.

 

Fonte: Agência PT de Notícias


Executiva Nacional do PT: Processo judicial contra manifestações é provocativo e acirra os ânimos!

Thumb nota2018 Publicada em 02/01/2018, 10:01

Em despacho na noite de quinta-feira (28), a Justiça Federal do Rio Grande do Sul acatou, em parte, pedido do Ministério Público Federal que limita a liberdade de manifestação das pessoas e dos movimentos sociais que desejam acompanhar o julgamento de recurso da defesa do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) na cidade de Porto Alegre, RS, marcado para o dia 24 de janeiro de 2018.

O pedido do MPF e a decisão judicial proferida criminalizam o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), colocando-o como réu em uma ação de cunho autoritário e antidemocrático. Atenta, assim, contra direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição da República Federativa do Brasil (1988) em vigor – art. 5º, IV e XVI – e o compromisso internacional de liberdade de manifestação assumido pelo País em 1992, ao ratificar o Pacto de San José da Costa Rica (1969). A criminalização dos movimentos sociais tem sido constante e sistemática no Brasil.

Os protestos e manifestações em defesa do Presidente Lula, contra a perseguição política sofrida por ele, mediante o uso de instrumentos jurídicos (Lawfare), bem como a acusação infundada de crimes inexistentes, sempre foram pacíficos e, mais do que isso, legítimos.

As manifestações sociais e populares não podem ser cerceadas, nem criminalizadas, muito menos confinadas para se fazer um jogo de “faz de conta” da democracia. Isso é arbitrariedade, abuso institucional, movido por interesses que atentam aos direitos do povo brasileiro.

“A praça, a praça é do povo. Como o céu é do Condor”, já proclamava Castro Alves

O PT, as forças políticas e sociais, não se calarão diante de manifestações sucessivas de ataque à democracia. Vamos denunciar nacional e internacionalmente essa tentativa de inibir o direito de livre manifestação e, também, de criminalização do movimento social.

Utilizaremos todas as medidas judiciais cabíveis e reafirmamos a grande mobilização popular em Porto Alegre, como em todo o Brasil, em defesa de eleições livres e do direito do maior líder popular brasileiro, líder também nas pesquisas de intenção de votos para a presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de reafirmar sua inocencia e de ser candidato nas eleições de 2018.

Brasília, 29 de dezembro de 2017

Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores

 

Fonte: pt.org.br


“Nós vamos manter a candidatura do Lula até o fim” diz Padilha

Thumb geisa2 Publicada em 08/02/2018, 13:21

O vice-presidente do PT e ex-ministro Alexandre Padilha afirmou que o partido irá defender a candidatura de  Lula à presidência da República até o fim em entrevista ao site Huffington Post Brasil, publicada nesta quarta-feira (7).

“Nós vamos manter a candidatura do Lula até o fim. A gente não admite essa sentença com a inocência dele”, afirmou Padilha, reforçando que o voto em Lula está bem consolidado, apesar de “toda a pancadaria” que o ex-presidente sofre da mídia.

Ele também ressaltou que apesar do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, a direita está fragmentada no Brasil. “Quem fez o golpe no País não conseguiu construir lideranças que mantenham as políticas do golpe. A única liderança que semearam e nasceu da intolerância é o [deputado federal Jair] Bolsonaro. Vão ter que se resolver entre eles”, afirmou.

Ele lembrou que candidatos como Geraldo Alckmin tem pouco a mostrar e muito a esconder, “com os cartéis de trem, das concessões rodoviárias, de todos os escândalos agora da merenda escolar”. Sobre o governador de São Paulo, ele ainda afirmou que “é uma figura que não tem projeto para o Brasil, o Brasil não é o estado de São Paulo”.

Padilha reforçou a violência de um potencial impedimento de candidatura de Lula, pois isso representa um ataque ao direito de voto de parcela expressiva da população brasileira.

“Se quiserem inviabilizar a candidatura do Lula, vão pagar o preço disso. Vamos fazer um debate muito intenso com a sociedade brasileira sobre a violência que querem cometer de impedir que o Lula participe das eleições. Para nós, está muito claro. O Lula não participar é tirar o povo do jogo, é permitir que o povo não jogue as eleições.”

Para 2018, Padilha também destacou a necessidade de uma ampla aliança de centro-esquerda e a necessidade de se eleger uma base sólida para o Congresso.

“Em 2002 chegamos a cerca de 90 deputados e nós queremos daí para mais, para atingir a maior bancada e para isso todo esforço de conversar com companheiros e companheiras que já foram candidatos a cargos majoritários, já tiveram outras posições, foram candidatos a governadores, senadores em outras situações poderem ser candidatos a deputados federais para ampliar essa bancada do partido”.

Leia a íntegra da entrevista

O ministro Gilmar Mendes, que presidiu o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), afirmou que se há uma certeza é de que um político condenado em segunda instância se torna ficha suja e terá candidatura barrada.

Alexandre Padilha: Quero ver eles barrarem. Nós vamos manter a candidatura do Lula até o fim. A gente não admite essa sentença com a inocência dele. Vamos manter até o fim, e eles vão ter que barrar se quiserem barrar e justificar porque estão barrando.

Vão ter que arcar com as consequências de barrar a candidatura de um homem que é inocente, por um crime que ele não cometeu, com a sentença absolutamente injusta. Mesmo se cometerem a violência de prendê-lo, ele vai ser nosso candidato. Dia 15 de agosto nós vamos registrá-lo como nosso candidato.

A expectativa é que o ex-presidente seja condenado novamente no caso do Sítio de Atibaia agora em março. Mais uma condenação não torna o processo ainda mais conflituoso?

Pode ser um conflito para o [o juiz Sérgio] Moro, para quem dá a condenação, condenando um homem sem crime cometido. Conflito para quem está fazendo isso. Para nós, está claro que há um conflito com as regras democráticas. A forma como os desembargadores do TRF-4 julgaram o Lula é absolutamente diferente da forma como eles julgaram os outros 154 processos.

A imprensa fez essa comparação. A comparação com os tempos de julgamento do Eduardo Azeredo, que teve a prescrição inclusive, e o tempo que foi para julgar o Lula em segunda instância…. É conflito para Curitiba, para quem está rasgando a Constituição, desvirtuando o processo do Código Penal.

Lula está em primeiro lugar, mas as outras candidaturas ainda não estão definidas. O PT teme que este cenário mude?

As outras candidaturas vão disputar entre elas. O voto do Lula está bem consolidado. Ter essa votação mesmo com toda pancadaria, toda perseguição que o Lula está sofrendo, mostra que é um voto muito consolidado, daí para mais.

Quando começar horário eleitoral e ele puder começar a se defender, a difundir o que ele vai fazer daqui para frente, a tendência é crescer mais ainda. Acho que as outras candidaturas disputam entre si, disputam outro nicho, o anti-Lula. Mais uma vez o fator Lula é decisivo nas eleições. As outras candidaturas passam por ele.

E como ficam as outras candidaturas da esquerdas?

Respeito todas elas, mas acho que elas não têm a musculatura que o Lula tem. No campo da centro-esquerda, respeitando as candidaturas que existem até hoje, vamos conversar muito, acho que não são candidaturas que têm a musculatura e a história que o Lula tem e a identificação com o povo brasileiro.

Acho que esse é o momento decisivo de união da centro-esquerda. O que está em jogo primeiro é impedir a continuidade do golpe. E o que pode impedir é justamente essa identificação popular que o Lula tem com uma parcela grande do povo brasileiro. As candidaturas, respeitando todas elas, não tem essa força popular, não trazem o povo para o jogo e para a disputa.

Vamos ter muito tempo para conversa ainda, teve uma unidade muito importante na defesa do direito do Lula ser candidato. Todos se manifestaram favoravelmente, mesmo que em tempos diferentes. Tem uma unidade em torno da reforma da Previdência, nós temos unidade contra a retirada dos direitos da aposentadoria pública, unidade em torno da retomada dos investimentos da saúde e educação.

Saiu um dado muito importante da redução dos investimentos em saúde e educação no país, aquilo que é a PEC do congelamento já acontecendo na prática, não só congelando, mas reduzindo os investimentos. Tem um terreno de unidade que precisamos semear cada vez mais.

No outro campo, do de quem fez um golpe, existe uma fragmentação entre eles. E acho que vai continuar fragmentado. Na verdade, quem fez o golpe no País não conseguiu construir lideranças que mantenham as políticas do golpe. A única liderança que semearam e nasceu da intolerância é o [deputado federal Jair] Bolsonaro. Vão ter que se resolver entre eles. Acho que vai ter muita disputa entre eles para ver qual deles consegue disputar com Lula.

Você disputou o governo de São Paulo com Alckmin, qual análise faz da decisão dele de querer concorrer ao Planalto?

É um governo vazio. O Alckmin tem muito pouco a mostrar para o Brasil dos 30 anos de governo do PSDB, o qual ele faz parte. Tem muito pouco a mostrar para o Brasil e muito a esconder, que é o esforço dele, com os cartéis de trem, das concessões rodoviárias, de todos os escândalos agora da merenda escolar.

Nesse tempo todo, ele tem muito pouco a mostrar. Acho que é uma figura que não tem projeto para o Brasil, o Brasil não é o estado de São Paulo. Para construir um projeto para o Brasil não pode ter o olhar só da Avenida Paulista nem do Palácio do Morumbi. Acho que esse que é o olhar limitado que ele tem sobre o País. Tem pouco a mostrar, muito a esconder, e o olhar deles para o Brasil, é um olhar limitado à Paulista e ao Morumbi.

No meio de 2016, após o impeachment, o PT tinha a meta de se unificar. Como ficou?

O PT tinha um desafio importante que era se unificar em uma estratégia única e comum para enfrentar o turbilhão que o Brasil vive. O Brasil vive um turbilhão do sistema político e tentaram transformar o PT no principal alvo desse turbilhão, embora esse turbilhão tenha atingido todos os partidos de todos os espectros, inclusive alguns com escândalos muito mais graves, mas tentavam fazer com que o PT fosse o único alvo.

Teve gente que decretou a morte do PT. Então, a primeira estratégia era se unificar em torno de uma estratégia comum para enfrentar esse turbilhão e acho que isso o PT conseguiu, se unificou em torno da candidatura do Lula, vai com ela até o final.

Se quiserem inviabilizar a candidatura do Lula, vão pagar o preço disso. Vamos fazer um debate muito intenso com a sociedade brasileira sobre a violência que querem cometer de impedir que o Lula participe das eleições. Para nós, está muito claro. O Lula não participar é tirar o povo do jogo, é permitir que o povo não jogue as eleições.

Segundo desafio era ter uma direção com uma postura mais ativa, mais presente, de conexão com a sociedade. Acho que isso a presidente Gleisi [Hoffmann, senadora pelo Paraná] está conseguindo de forma muito intensa.

Acho que tem um terceiro desafio agora que o campo da esquerda enfrenta: renovar um projeto para o País. Qual é a saída que inclua a maior parte do povo brasileiro para crise econômica, política e institucional que o País vive. O País vive uma crise econômica, da qual não saiu. O dado mais intenso para nós é a taxa de desemprego, ultrapassou 12%. A promessa de atração de investimentos, de recuperação de investimentos que o governo Temer e o PSDB fizeram não vem se consolidando.

Um dos exemplos é o cancelamento da assinatura do contrato do metrô aqui em São Paulo. Nós acreditamos que um país como o Brasil não tem chance de se desenvolver sem uma forte política de redução da desigualdade social ou regional, isso não é possível sem fortes investimentos em educação e saúde, é o contraponto do que o atual governo se propõe e o PT tem o desafio de juntar uma frente de centro-esquerda, uma frente bastante ampla que rebata esses temas também.

Queremos uma frente de centro-esquerda, uma frente ampla primeiro para recuperar o que o Temer tirou, mas também para enfrentar os temas que o País tem, como a segurança pública.

Achamos que temos o desafio de apresentar para o País uma proposta de segurança pública que não seja nem a inoperância do governo Temer e também não seja a tese do armamento do Bolsonaro, é possível fazer algo diferente a partir das experiências internacionais, das experiências bem avaliadas no País. Acho que esses são uns desafios que temos pela frente. E o PT, depois desse turbilhão, passa a ser o partido com 20% de preferência do povo brasileiro.

Mesmo no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, do PT, esses dados não estavam bons. Para isso, teria que tomar algumas medidas, provavelmente impopulares…

O PT tem propostas para isso. Para a gente poder ampliar os recursos para educação e saúde, a gente precisa recuperar os recursos do pré-sal que o governo Temer retirou. Era um aporte importante de recursos e talvez seja o principal passaporte para o futuro brasileiro a correta exploração do recurso do pré-sal e como transformar essa riqueza mineral em uma riqueza humana.

Segundo, o Brasil precisa fazer uma reforma tributária. A classe média brasileira, os trabalhadores não podem continuar pagando a maior parte dos impostos no País, é preciso cobrar mais do andar de cima.

O Brasil precisa discutir seriamente imposto sobre grandes heranças, heranças milionárias que acontecem no País onde quem ganha não contribui em nada para o estado brasileiro, a contribuição é ínfima comparada a países da Europa, comparada até mesmo com os Estados Unidos.

Um dos quesitos fundamentais para a gente poder voltar a investir em saúde e educação é reduzir os impostos em saúde e educação e ampliar os impostos e recuperar mais recursos daqueles que sonegam e contribuem menos.

É preciso rediscutir taxação sobre atividades nocivas à saúde, imposto sobre cigarro, bebidas, agrotóxicos. é possível voltar a ampliar investimentos sem cortar direitos.

Essa tese de que para ampliar investimentos têm que cortar do aposentado, do povo mais pobre, nós já provamos que é possível ampliar políticas sociais, não jogando esse peso para a maioria do povo brasileiro. Pelo contrário, tem que jogar esse peso para quem hoje retém a maior parte da riqueza deste país.

Qual a meta do partido, além do Lula?

O centro da estratégia é a eleição do Lula e a gente poder fazer a maior bancada que a gente já fez. Em 2002 chegamos a cerca de 90 deputados e nós queremos daí para mais, para atingir a maior bancada e para isso todo esforço de conversar com companheiros e companheiras que já foram candidatos a cargos majoritários, já tiveram outras posições, foram candidatos a governadores, senadores em outras situações poderem ser candidatos a deputados federais para ampliar essa bancada do partido.

Nós queremos que o Lula governe, mas queremos que ele tenha uma bancada que permita que volte a ampliar os recursos para saúde e educação, que a gente retome o pré-sal para o povo brasileiro, com exploração por parte da Petrobras, que a gente acabe com a PEC do congelamento. Para poder fazer essas mudanças é preciso uma grande bancada.

Você acha possível refazer alianças históricas?

PCdoB, PSB, acho possível. Nunca foi tão necessário a união de todas as esquerdas. É muito importante essa união para combater a tentativa do Temer de acabar com a aposentadoria pública agora, para enfrentar que a política do Temer, do Alckmin, do [presidente da Câmara dos Deputados] Rodrigo Maia (DEM-RJ) e também para garantir o direito não só do Lula, mas de todos os seus candidatos. Nunca foi tão importante essa união das esquerdas e eu aposto nela.

 

Fonte: Agência PT de Notícias


Leia a entrevista de Lula para a Folha de S. Paulo

Thumb geisa2 Publicada em 01/03/2018, 13:17

Lula: Querida, deixa eu te falar, eu estou pronto. Deixa eu só te falar uma coisa, Mônica, já que está gravando aí vamos fazer o seguinte, nesta entrevista, a senhora pode perguntar tudo que vossa excelência quiser perguntar. Não tem pergunta que não tenha resposta, a não ser que eu não saiba, se eu não souber, vou dizer não sei e você vai perguntar para um candidato que sabe.

Folha de S. Paulo: Presidente, eu tenho um roteirinho que eu queria que a gente fosse conversando e aí vamos mudando e o senhor vai introduzindo temas que o senhor quer. E o que eu queria começar perguntando é sobre o quadro atual eleitoral, político, do qual o senhor é o protagonista.

Recentemente, há poucos dias, o Ciro Gomes falou em voz alta, o que eu acho que muita gente murmura, né, e pensa, que ninguém no Brasil acredita que o senhor vai poder ser candidato até o fim.

Bom, diante disso, o senhor tem o direito de ir até o fim, se inscrever e esticar isso, e o senhor ao mesmo tempo enquanto o senhor for candidato, quer dizer, fica muito difícil a discussão de uma alternativa e de se viabilizar que se torne viável uma alternativa. Então qual é a hora de se começar a conversar sobre esse famoso plano B.

Ô Mônica, se eu não acreditasse na possibilidade de que a justiça pode rever o crime cometido contra mim pelo Moro e pelo TRF4, a mentira contada sobre mim, eu não precisaria fazer política. Ou quem sabe eu virasse um moleque de 16 anos e fosse dizer que só tem solução na luta armada.

Não, eu acredito na democracia, eu acredito na justiça e acredito que o que foi feito, tanto no TRF4, quanto no Moro, essas pessoas mereciam ser exoneradas a bem do serviço público. Porque houve mentira na denuncia da imprensa, houve mentira no inquérito da policia federal, houve a mentira na acusação do ministério público, houve a mentira na sentença do Moro e houve a mentira na confirmação do TRF4.

Então o que que eu espero, eu espero que o Supremo Tribunal Federal cumprindo aquilo que é o seu papel constitucional analise os autos do processo, veja os depoimentos, veja as provas e tome uma decisão. Por isso eu tenho a crença de que eu vou ser candidato a presidente da República.

Mas eles não vão conseguir entrar no mérito, presidente. Não vai ter tempo de se acontecer isso.

A segunda coisa…deixa eu te falar uma coisa, eu só posso confiar num julgamento que se entre no mérito. Eu só posso.

Mas você acha que vai ter tempo?

Mas veja, é preciso ter tempo. A justiça não tem tempo, não é um tempo certo, a justiça não é uma coisa que você dá 24 horas, 24 dias ou 24 meses. A justiça ela tem o tempo necessário de fazer a investigação correta no processo e punir quem está errado.

Neste caso quem deveria ser punido era o Moro, o Ministério Público, era a Policia Federal e os quatro juízes que fizeram a sentença lá. Então eu tenho essa crença. A segunda coisa, Mônica, é que eu não acho que acredita eu não seja candidato. Era mais fácil o Ciro dizer que tem gente que não quer que o Lula seja candidato e ele quem sabe se incluir dentro disso. Seria mais simples. Por isso que eu disse que só tem uma unanimidade hoje no meio político, é que as pessoas não querem que o Lula seja candidato.

O Temer não quer, o Alckmin não quer, o Ciro não quer e talvez outras pessoas. Qual é o…na minha avaliação de conjuntura, qual é o imaginário deles, o Alckmin pensa mais ou menos assim, se o Lula for candidato, todos os outros só tem uma chance, que é uma vaga, porque tá certo que ele vai pro segundo turno ou ele pode até ganhar no primeiro turno. Se ele não for candidato, aumenta a chance de todo mundo. Todo mundo têm duas vagas, sabe? “Então eu que tô mal agora, posso crescer se o Lula não for candidato.”

O Ciro tem cansado de dizer, sabe? “Se o Lula fosse candidato, ele não seria candidato.” Porque a chance é pequena. E assim outros companheiros, tá? Como eu respeito que todo mundo seja candidato, todo mundo, sabe? Eu respeito que todo mundo que quer ser candidato, seja candidato. Até o Temer resolveu ser candidato. Qual é a aposta do Temer? É defender os seus três anos de mandato, tá? E é importante ter em conta, ô Mônica, que o Temer teve uma vitória quando ele derrubou o golpe que a Globo, o Janot e o Joesley tentaram dar nele. Aquele golpe tinha como pressuposto básico o Temer cair, o Maia assumir a presidência e o Janot ter um terceiro mandato.

O senhor acha que a Globo tentou dar um golpe no Temer?

Eu acho.

E por que?

Porque era importante manter o Janot, era importante tirar o Temer e era importante colocar o Rodrigo Maia. Sabe? Isso pra mim está claro. Ora, como o Temer

Até o Janot, tudo bem. Mas por que colocar o Maia ao invés do Temer, se o Temer está com uma plataforma…

Mas não era o candidato deles, ou seja, o Temer ele…

Deles, da Globo?

O Temer era uma coisa temporão que se prestou a fazer o serviço do golpe. Tá? Depois disso o Temer não era uma figura palatável, ou seja, e o que houve foi uma tentativa de golpe, se não, me explica o que aconteceu.

Não pode ser jornalismo simplesmente?

Vamos ser francos…

Não, eu estou perguntando, não estou nem afirmando.

Jornalismo de quem? Você acha que na Globo alguém faz jornalismo livre? O jornalista decide e faz? Fazer uma denuncia daquela que foi feita contra o Temer? Porque teve jornalistas, amigos seus, amigos meus, que às cinco horas da tarde estava apostando na queda do Temer. Estava apostando na renuncia do Temer.

E já estava se discutindo quem ia assumir, o que ia acontecer. Ora, como o Temer resolveu enfrentar, caiu por terra e ele teve a coragem de desmascarar o Janot, desmascarar o outro procurador, desmascarar o Joesley e ficou presidente. E ainda ganhou duas paradas no Congresso Nacional. Não se sabe a que preço. A imprensa dizia que 30 bilhões foram gastos e não sei quantos bilhões, mas ganhou.

Aliás ouvi falar que o senhor tem um respeito por pessoas que têm essa característica dele…

Então veja, ele ganhou lá e se manteve evitando dois processos dele, sabe? Todo mundo disse, a imprensa disse fartamente que um custou 30, outro custou 10, não sei quanto custou, mas todo mundo disse, sabe? E os procuradores estão procurando propina de 2002, quando na verdade deveria ser até o que tá acontecendo agora no Congresso Nacional.

Bem, então o que que o Temer imaginou, “bom, ninguém quer defender o meu legado, tá? Ninguém quer defender. E também não tem muita gente boa de voto além de mim, o outro é o companheiro capitão do exercito brasileiro.

Eu vou disputar esse discurso” e eu acho que fez o processo de ocupação do Rio de Janeiro, que é a intervenção, com o objetivo de ganhar o discurso, ou seja, “eu não consigo votar a previdência”, quem derrotou a previdência foi a pesquisa do Datafolha.

A pesquisa do Datafolha mostrava que dificilmente o Temer conseguiria votar a reforma da previdência. Ora, então ele trocou uma reforma que de 80 % da população era contra por uma intervenção que de começo tinha 80% de gente favorável.

Presidente só antes da gente mudar de assunto, eu queria fazer duas perguntas sobre a resposta que o senhor deu. Primeira: o senhor acha que ele merece respeito por ter vencido a Globo?

Não, não. Eu continuo pensando o mesmo do Temer. Eu estou contando o fato e o fato histórico não tem sentimentalismo. Tem uma fotografia e a fotografia foi essa.

E quando o senhor fala da Globo, o senhor fala de algum jornalista que tem ali, enfim, mas a empresa não pode ter decidido fazer jornalismo neste caso?

Não, é difícil. Você nem pergunte pra mim, porque falar que a Globo faz jornalismo, sinceramente faz tempo que a Globo tem um jornalismo muito comprometido, um jornalismo mais ideologizado, mais do que deveria ser.

Você sabe que eu como dirigente do PT, como militante político, como presidente da República, eu sou o mais defensor da liberdade de imprensa, eu acho que a censura deve ser feita pelo telespectador, pelo ouvinte e pelo leitor, você sabe disso.

Agora eu acho que o jornal, ele tem que ter um compromisso e os meios de comunicação, com a verdade. Ou seja, quando é um fato político, um fato acontecido, ele deve ser contado exatamente como ele aconteceu. Não pode ser um fato inventado como está acontecendo em todo esse processo que estamos vivendo no Brasil nos últimos anos.

Eu ia ter um capítulo aqui da relação do senhor com a Globo, eu vou antecipar esse capítulo aqui já que a nossa conversa foi um pouco pra isso…existe assim, sempre o senhor fala “eles querem me derrubar, eles querem…”, eu queria entender quem são eles.

Eu entendo que a Globo está incluída nesse eles e como que em determinado momento, o senhor tá falando que desde o tempo do Brizola, sempre mentiu e etc. Quando o senhor venceu, e a gente falou isso aqui outra vez que os outros jornalistas estavam, senhor deu uma primeira e foi algo que surpreendeu negativamente seus seguidores tradicionais foi o senhor dar uma entrevista exclusiva ali na bancada do Jornal Nacional.

Foi simbólico, foi o primeiro telejornal que o senhor foi e depois o senhor teve uma relação próxima com a Globo. Eu soube que o senhor encontrou mais de uma vez com o João Roberto, em que momento teve uma convergência dos interesses?

Para não ser ingrato com os outros meios de comunicação, eu vou olhar bem nos teus olhos para dizer o seguinte, eu duvido que em algum momento da história desse país um presidente da República tratou os meios de comunicação com a deferência e com a “republicanidade” que eu tratei.

Eu tratei bem e tinha uma relação maravilhosa com o velho Frias. Eu tratei bem o Estadão, eu tratei bem a Folha de S.Paulo, o Jornal do Brasil, O Globo, eu tratei bem A Globo, a Bandeirantes o SBT, tratei bem a Record, todos eu tratei com muito respeito.

Porque esse era o meu papel. Eu sempre achei e toda vez que eu anunciava uma coisa importante, eu dizia pro Franklin Martins e pro Ricardo Kotscho: “a gente vai esperar três dias, se nesses três dias, a divulgação não for correta e honesta, nós vamos entrar em rede nacional de televisão para explicar o que nós fizemos. Vamos ser francos, quando eu criei o programa Fome Zero, a Globo fez quase que uma campanha contra o Fome Zero.

Mas o senhor não fala a Globo é mentirosa, é golpista, só que no seu governo tinha outro tratamento…

Deixa eu falar uma coisa pra você, é que um presidente da República tem que ter um comportamento diferenciado…

Mas não houve um momento de convergência de interesses, presidente? Nunca houve?

Nunca houve convergência. A convergência que havia comigo e com os meios de comunicação é que eu sempre trabalhei para que os meios de comunicação fossem exatamente o que eu quero que sejam, honestos com a informação, embora cada dono de jornal, cada editorial tenha efetivamente o seu espaço de posicionamento político. Eu não sou contra que a Globo tenha posicionamento político, coloca o Willian Bonner para fazer um editorial de três minutos pra dizer o que eles pensam, agora na cobertura, sejam honestos. Sejam dignos.

Reza a lenda que o Palocci inclusive ajudou a emissora e dois personagens, um que o senhor deve estar meio estremecido, que é o Ciro e um outro que é o Requião, contam isso várias vezes que houve reuniões em que um determinado ministro, que eles não dizem qual era dizia: “a Globo é nossa, a Globo tá com a gente, eu falo com o João, eu falo com a…”.

Lula: Não é possível, olha, falar com o João, eu converso com o João Roberto Marinho bem antes de ser presidente da República. Até porque o João sempre foi o representante institucional da Globo…

Mas essa proximidade e a “Globo é nossa”?

Nunca teve essa proximidade e eu duvido que alguém tenha dito “a Globo é nossa”. Eu duvido. Você sabe que eu sou filho originário do grito de guerra “o povo não é bobo, abaixo a rede globo”, no estádio da Vila Euclides em 1979.

Por isso que o senhor foi lá dar entrevista pra eles…

Se tivesse aqui a TV francesa, a TV inglesa, a TV alemã, quem sabe eu tinha ido, mas as que eu tinha, eram todas mais ou menos iguais, me tratavam mais ou menos com a mesma postura. Eu acho, Mônica, e você tá me vendo falar disso com muita tranquilidade, porque eu aprendi que se eles querem me fazer ter raiva, eu faço um esforço muito grande para não ter raiva.

Quando você tem raiva, você tem ódio, você fica com azia, você fica com refluxo, você não dorme, então, eu me preparei desde 2005 para não sofrer desses males, então eles ficam com raiva porque eu não os assisto. Eles devem ficar com muita raiva.

Você há de convir que eu tenho um comportamento exemplar, muito exemplar no meu tratamento de respeito com a imprensa brasileira. Acho que eles não são honestos na cobertura, acho que…a Folha mesmo nos bons tempos, nos anos 70, 75, quando a Folha começou a ser um jornal mais de esquerda, mais progressista, que o partidão começou a ler a Folha, mesmo assim a gente sentia que a Folha tinha – eu não sei se é só a Folha – uma espécie de ojeriza de falar bem de uma coisa boa, ou seja, não podemos falar que o governo tá bem. Nós não podemos dizer que o governo fez uma coisa boa.

Nós temos que encontrar um espaço para fazer uma crítica, é uma necessidade maluca para não parecer chapa branca. Ah, se você fez uma matéria boa hoje, amanhã você tem que fazer uma dando um cacete.

Mas jornalismo não é isso?

Não. Jornalismo é dizer a verdade. Seja bom ou seja ruim.

Mas você pode criticar dizendo a verdade…

Você pode criticar, se a coisa merece critica, você fala. Não é possível que um presidente da República, que saiu depois de oito anos de mandato com 87% de bom e ótimo, dez irregular e três de ruim e péssimo do comitê dos tucanos, não merecesse um elogio, não é possível.

E você sabe que o tratamento dado a mim pela imprensa, é um tratamento aquém daquilo que um ser humano necessita. Eu posso dar o exemplo da campanha de 2006, eu era presidente da República e de repente eu via que qualquer candidato tinha mais espaço que eu na imprensa. “Ah, o Lula é presidente e não pode”.

Quando descobriram que alguns candidatos tiravam votos do Alckmin e não de mim, aí descartaram os candidatos. Então, Mônica, eu trato isso com um certo equilíbrio emocional, porque eu gostaria que fosse diferente, que a imprensa fosse séria…se o cara pisou na bola, dizer que o cara pisou na bola, se o cara foi bom, dizer que ele foi bom, se a política feita é ótima, dizer que é ótima, se não é ótima, vamos dizer que não é ótima.

Nem a política econômica do senhor foi elogiada? O senhor considera que em nenhum momento houve uma convergência para…

Deixa eu te dizer uma coisa importante…

Porque se não assim…

Eu tenho uma compreensão dos empresários muito engraçada. O empresariado brasileiro por formação, eles detestam agradecer políticas públicas que melhoram a vida deles. Você entra numa reunião com os empresários, você anuncia uma política pública importante para os empresários, aí quando ele sai, a imprensa coloca o microfone e pergunta: “doutor fulano de tal, o que que o senhor achou da medida? É insuficiente”. Sabe? É uma loucura de não dizer “olha, essa medida é boa”.

Você veja uma coisa, quando eu pensei em fazer o Minha Casa, Minha Vida, o primeiro setor que eu consultei foi a ABDI, chamei e perguntei “olha, eu queria fazer um programa habitacional grande, então eu queria saber o que que vocês pensam para um plano habitacional grande?” Me falaram 200mil casas…eu falei “vocês são loucos? 200mil casas não é um plano habitacional.”

Aí fui conversar com outras pessoas e tal e cheguei no meu companheiro Guido Mantega, ele falou “ó 500mil casa”, eu falei “é pequeno, Guido, nós precisamos fazer mais. Nós precisamos anunciar pelo menos um milhão de casas, provar que é preciso fazer.”

Aí criamos o Minha Casa, Minha Vida. No primeiro ano nós lançamos, ó lembra de uma coisa, nós lançamos o plano em março de 2009, até você preparar tudo…em dezembro de 2010, quando eu já ia deixar a presidência, eu fui a Salvador cadastrar o cidadão um milhão do Minha Casa, Minha Vida.

E já deixamos pronto o Minha Casa, Minha Vida número dois, pra Dilma não ter que começar tudo outra vez. Como deixamos pronto o PAC número dois. Ou seja, você tá lembrada que a gente fazia entrevista com a imprensa há cada três meses prestando conta do PAC.

Isso nunca aconteceu no Brasil. E pega o PAC, não tem uma notícia favorável do PAC na imprensa. O cara nunca lembrava do quilometro feito, ele lembrava do metro que faltava. E isso é normal. Você sabe que eu lidava com movimento rural, eles iam no começo do ano e entregavam uma pauta de reivindicação e a gente ficava o ano inteiro com aquela pauta, se tivesse 20 ministro, cada ministro dava sua opinião.

Aí quando eu ia anunciar, tinha 99 coisas conquistadas, ele falava da uma que faltava. Aí eu falava “companheiro, pelo amor de Deus fala das 99 que você conquistou pro pessoal saber que valeu a pena lutar e depois você fala: mas falta isso.”

Quando você fala assim, voltando um pouquinho e o senhor falou dos empresários, o senhor fala “eles não me aceitam, eles nunca me aceitaram”…quem é que são eles?

Não sei, são eles.

Porque a Globo o senhor identificou, mas veja…

Não, não, não, deixa eu lhe falar uma coisa, querida…

Posso só acabar de fazer meu raciocínio?

Pode, pode…

O governo do senhor, quer dizer, esse sistema, que teriam sido “eles que”, não tô duvidando que existam esses “eles”, eu queria só que o senhor…

Eles são eles, eu não vou ficar nominando…

Você tem aí esse sistema com “eles” mandando, quer dizer, o senhor foi eleito, reeleito, o senhor fez uma sucessora, reelegeu a sucessora, o senhor tinha uma convivência com as construtoras que eu acredito que eram os “eles”…

Mais grave, elegemos o Haddad em São Paulo…

Boa com as construtoras, boa com os bancos a ponto do Bradesco indicar lá um ministro pra Dilma, com a Globo o senhor tinha uma relação razoável…o que são “eles” e quando é que houve uma ruptura, presidente? Como é que o senhor vê isso?

Deixa eu te falar…eu não tive uma relação…

Os “eles” o senhor não quer nominar…

Eu não tive uma relação boa só com esses setores que você falou…

Então como a elite é contra o senhor, se a elite…

Eu tive uma relação boa com todos os segmentos sociais desse país…Eu tenho orgulho de dizer que no meu período de governo foi o momento em que os empresários mais ganharam dinheiro, os trabalhadores ganharam mais aumento de salário, que nós geramos mais empregos, que houve menos ocupação no campo, menos ocupação na cidade, mais casas foram feitas, mais reforma agraria foram feitas e te dizer mais…menos greve no setor privado, menos greve no setor público. Então eu trago comigo essa honraria de saber conviver com a sociedade brasileira…

E onde houve essa ruptura?

Então, veja…

Porque houve um momento em que houve uma convergência…se o senhor foi eleito e reeleito…

É que eu leio os jornais, nem tanto quanto você pensa, mas eu leio as informações que me interessam. Não leio todas as bobagens que vocês escrevem, mas eu leio alguma coisa…e de repente eu vejo o tal do mercado assustado com o Lula…e eu fico pensando, quem é esse mercado…não pode ser o dono do Itaú, não pode ser os donos do Bradesco, não pode ser os donos do Santander, não pode ser…você veja que o Santander, quando eu fui candidato em 2002, o presidente do Santander…Botín…ele veio em 2002 me fazer uma visita.

O Botín veio conversar comigo no meu comitê e quando o Botín tava conversando comigo, eu tava contando do comportamento do setor financeiro e ele falou “ô presidente, se o senhor quiser eu vou dar uma entrevista”, eu falei “mas você acha que fica bem um banqueiro dar uma entrevista no meu comitê?”, ele falou “acho”. E foi lá falar o que? Foi lá dizer o seguinte: “eu, presidente do Santander, quero dizer que eu confio no presidente Lula, se ele for eleito vai melhorar o Brasil”.

E depois o Bradesco falava isso…então eu falo: uma coisa é você falar no sistema financeiro, outra coisa é você falar nos donos dos bancos, outra coisa é você falar num bando do “iupi” que são responsáveis pela quebra do Lehman Brothers, que depois desapareceram, jovens bem apenhorados, sabe?

Jovens que vivem ganhando dinheiro através de bônus, através de não sei das quantas, pra vender papel, sem vender um produto, ou seja…então essa gente eu não me importo com o que pensam de mim. Essa gente teve no FMI durante a crise na América do Sul, eles falaram mal o tempo inteiro dos países pobres…

Quando a crise foi nos EUA e na União Europeia parece que o FMI fez uma cirurgia da amígdalas e não poderia falar nunca, o Banco Mundial não falava nunca e essa gente agora voltou a falar…até dar palpite sobre o Brasil…eles sabem que se eu voltar a ser presidente da República, o FMI não dará palpite na nossa economia, não dará palpite. Aqui nós somos adultos, nós temos responsabilidade, temos compromisso, e não vamos ficar aceitando palpite para quem não sabe tratar de si próprio. Então, querida, sinceramente quando eu digo “eles”…

“Eles” são meio as forças ocultas do Jânio, quer dizer…

É uma coisa sabe? Quando eu falo “eles” e falo “nós”, ou seja, é porque você tem lado na política brasileira e que você tem que conquistar…eu quando ganhei as primeiras eleições, eu fiz questão de conquistar muita gente.

Quando eu criei o Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social tinha gente na Câmara e no Senado, que achava que eu estava querendo criar uma fissura na relação entre Senado e entre Câmara com a sociedade…eu falei “não…eu quero é estabelecer uma política de convivência com a sociedade brasileira muito verdadeira”.

Eu lembro que na primeira reunião, alguns empresários fizeram uma reunião no Hotel Naoum por que estavam preocupados como “vai ser essa reunião, vai ter índio aí, vai ter sindicalista, como é que a gente vai fazer, como é que a gente vai se portar”.

Fizeram uma reunião como se fossem um grupo de estudantes para se preparar para a assembleia, “vamo sentar na frente para gritar mais alto e tal”, o que que eu fiz? Eu mandei colocar o nome de cada pessoa, do jeito que eu queria, Gerdau do lado do Feijó da CUT, num sei quem do lado do pastor, num sei quem do lado do bispo, num sei quem do lado do índio, num sei quem do lado…pra mostrar que isso é a sociedade brasileira, que embora a gente tenha origens diferentes, berços diferentes, a gente convive num mesmo espaço geográfico e se esse espaço geográfico tiver sabe, bem trabalhado, todo mundo vai viver melhor…

Mas onde é que o senhor acha que houve uma ruptura…porque até esse livrinho que o senhor tem aqui do André Singer, que é um livro muito bom, ele fala isso: “o Lula protagonizou um reformismo tênue, fraco e longe de conflitos”, tá certo? E teve a sorte de ter o milagre das commodities e então conseguiu fazer isso, né…o reformismo diminui a pobreza, etc, mas que não foi um reformismo radical como se propunha antes…

Engraçado…

É, ele fala isso…então será que foi por isso que o senhor foi aceito e depois na impossibilidade de continuar isso o senhor…

Deixa eu te falar, o Andre Singer…

Sofre maior oposição hoje?

Outro dia eu conversei com o André Singer e ele me falou uma coisa legal: “o Lula você entende muito de Lula, mas de lulismo conheço eu”. E me deu dois livros pra ler…

Aqui ó, é exatamente aqui… “ao promover um reformismo suficientemente fraco para desestimular conflitos, ele estendeu o tempo para a redução da desigualdade…”, enfim…

Eu não acho que eu fiz um governo reformista.

Reformista fraco, na definição do seu…

Se você achar que você tirar 36 milhões da miséria absoluta, se você achar que levar 40 milhões de pessoas a um padrão de consumo e de vida de classe média baixa, se você achar que colocar luz elétrica para 15 milhões de pessoas que moravam em baixo das linhas de transmissão, se você achar que em oito anos eu disponibilizei 47 milhões de hectares para assentamento de pequenos produtores, se você tiver noção que 47 milhões mais dois milhões, que é o que a Dilma fez, dá 51 milhões, é 51% de tudo que foi feito em 500 anos de história nesse país.

Se você imaginar que nós conseguimos colocar em prática uma transposição, que já era pra estar inaugurada em 2013 e está atrasada até hoje, que Dom Pedro tentou fazer no tempo que ele era imperador, se você imaginar a ascensão social das pessoas mais humildes, você vai perceber que nós fizemos uma revolução, que muitas revoluções armadas não conseguiram dar o padrão de vida pro povo, que nós conseguimos e fizemos em apenas oito anos. Isso chama-se política.

É mais do que reformismo…

Isso chama-se a arte da democracia. Tem gente que fala, ah mas o Lula fez um governo de conciliação. Depende do que você entende por conciliação. Veja, se eu tivesse força suficiente, se eu tivesse a força que teve o PMDBna Constituinte, 23 governadores e 306 constituintes, e eu não fizesse o que estivesse no meu programa, eu fosse ceder aos menores, eu teria conciliado.

Mas eu, eleito presidente da República, com dez senadores, 91 um deputados, num colégio de 513 deputados, fazer o que eu fiz? Conciliação é quando você pode fazer mais e não faz, quando você tem vontade de fazer mais e não faz. Mas eu acho que eu fiz o que nenhum cientista político acreditava que eu pudesse fazer…até porque eles, “eles” outra vez…

As forças ocultas…

Eles acreditavam no meu fracasso…ô gente, eu digo isso…

O senhor fala ele…eu queria…

Eles…e você toma cuidado para não ficar sendo confundida com “eles”. Você sabe o que acontece? Eu dizia antes da campanha, cada vez que eu conversava com o Fernando Henrique Cardoso, ou cada vez que alguém conversava com ele, as pessoas vinham aqui falar pra mim: “ô Lula, o Fernando Henrique Cardoso, ele tá torcendo por você”, parecia impossível imaginar, o Serra era candidato. Mas porque que era possível?

Pra ele poder voltar depois.

Não tô dizendo que era, mas porque que a tese tem força? É porque na cabeça de um intelectual, na cabeça de alguém muito estudado, ou seja, ele imaginava o seguinte “se o Serra for eleito, ele vai querer governar oito anos e então tchau tchau.

Se o Lula for eleito, coitadinho…ele é operário, ele só tem o diploma primário, ele não fala espanhol, ele não fala francês, ele não fala inglês…não vai dar certo…então ele vai ficar coitadinho, não vai dar certo, quando eu voltar, quando ele tiver terminando o mandato, eu vou voltar nos braços do povo”, era essa a ideia…

Acontece que ele não sabia que eu tinha na minha cabeça uma obsessão “eu não posso errar” e porque que eu não podia errar? Eu tinha na cabeça o modelo do Walesa na Polônia, e  o Walesa quando foi candidato à reeleição, ele teve apenas 0,5% dos votos. E eu falava “se eu fracassar, nunca mais um torneiro mecânico chegará à Presidência da República”.

E onde começou a dar errado, presidente?

Mas onde que deu errado?

Deu errado, né? A Dilma foi tirada do poder, o senhor tá…

Vamos conversar sobre o governo da Dilma.

O que foi pior para o PT, o governo da Dilma ou a Lava Jato?

Quando eu falo “eles”, deixa eu te falar uma coisa, quando eu falo “eles”, a Folha publicou recentemente uma matéria, já faz uns meses, que de 2011 a 2014 a companheira Dilma fez R$ 528 bilhões de desoneração, ou seja, significa que a companheira Dilma tirou do caixa dela 528 bilhões de reais pra tentar animar a economia, pra tentar continuar fazendo as políticas sociais.

Você já viu algum empresário agradecer? Você já viu algum empresário dar alguma declaração pra Folha de S. Paulo dizendo que quando chegou 2014 que o caixa tava com menos dinheiro, foi por causa da desoneração? Nunca ninguém falou…nunca ninguém falou…e a Dilma tentou mudar a desoneração, você tá lembrada que ela mandou uma medida provisória e o Renan devolveu…

Então veja, eu acho que a Dilma fez o primeiro mandato exitoso, eu acho que ela cometeu equívocos na questão da desoneração, não era preciso fazer tanta desoneração, já falei isso para o companheiro Guido Mantega, muita isenção fiscal, muita desoneração, a gente tem que saber que esse negócio de desoneração é como se fosse uma comporta de uma hidrelétrica, você abre quando você pode abrir, você fecha quando você não pode.

O governo tem que ter o controle disso, não é uma política perene. É uma política de momentos. Eu, por exemplo, fiz 47 bilhões de desoneração, por que que eu fiz? Porque eu precisava reativar alguns setores da economia, querida…fazia e parava, fazia e parava, fazia e parava. Você não pode dar perene…porque os empresários colocam aquilo dentro do seu fluxo de caixa normal e não dá o resultado que o governo queria.

O senhor recentemente falou também da questão, perguntaram para o senhor naquela entrevista do Trajano, sobre o fato do senhor não ter se colocado como candidato, né? O senhor respondeu que “ah a Marta veio falar comigo, mas a Dilma não falou, fiquei na minha”, se ela tivesse falado o senhor teria aceito e seria diferente essa história? Quer dizer…é difícil olhar pra trás..

É difícil de falar…

Se o senhor tivesse sido candidato o senhor teria ganhado.

Deixa eu te contar uma coisa…

Você acha que teria sido diferente? Se o senhor fosse eleito, eu só queria que o senhor respondesse…

Deixa eu te falar, eu não vou dizer assim prontamente assim, tudo tem uma explicação, Mônica, se não…fica muito difícil que seja diferente. Primeiro, eu tenho um jeito de ser diferente da Dilma. Segundo, aqui nesse gabinete aqui e no Brasil inteiro, era quase que unanimidade de todos, do empresariado e todos, que eu voltasse.

Todo mundo imaginava que eu fosse voltar a ser presidente. Tem uma coisa que eu vou lhe contar agora, quando eu indiquei a Dilma para ser candidata, sugeri ao PT, alguns companheiros insinuavam que a Dilma deveria ter um mandato tampão, eu deveria dizer para ela, que ela seria candidata apenas para guardar a minha cadeira. E eu me recusei. Eu disse “a Dilma será candidata por inteira e se ela tiver bem, é dela o direito de ser candidata à reeleição”. Eu tinha experiência do Olívio Dutra e do Tarso no Rio Grande do Sul e eu não queria repetir isso. Tá? Não queria repetir. Eu lembro que uma vez inventaram…João Santana, Palloci e Zé Eduardo Dutra que já morreu, inventaram na campanha de desmamar a Dilma…

E quase que ela perde…

E eu recebo um comunicado de um companheiro que falava o seguinte “ô Lula, eu tenho uma pesquisa aqui que a Dilma começou a cair. Eu não sei se você assiste programa de televisão”, eu falei não, ele falou “então assista, você não está mais na televisão, ela começou a cair, se você não voltar, ela vai perder”. Eu vou pra Belém com a Dilma, chega em Belém a Dilma fala “ô presidente, eles vieram para pra mim que vão me desmamar”.

Eu não esqueço nunca, porque eu peguei o telefone e liguei para o coordenador da campanha…e falei o seguinte “ó, quero uma reunião amanhã às 9h30 da manhã. Tô chegando de Belém de noite e 9h30 amanhã tô lá”. E 9h30 eu tava lá…tava Palloci, Gilberto Carvalho, João Santana e o nosso querido Zé Eduardo Dutra, eu cheguei falando uns palavrões e falei “eu quero saber quem é de vocês que tem voto, você tem voto? Vocês não tem voto, então o seguinte…então tratem de parar com esse negócio do desmame, que eu vou voltar pra televisão e vou dizer o que eu quero. Não quero mais discurso pronto”.

Bom, aí a Dilma foi muito bem no governo, sabe? Tentaram inventar briga da Dilma comigo…tentaram criar fissura…uma vez teve aquela carta da Dilma no aniversário do Fernando Henrique Cardoso, que a imprensa divulgou uma semana…e aquela carta certamente não tinha sido feita pela Dilma, porque eu liguei pra Dilma e disse “se eu soubesse que você pensava isso do Fernando Henrique Cardoso, eu não teria indicado você para ser minha presidenta”, risos.

Eu lembro dessa carta…

Aí ela falou “Você sabe, você sabe, sabe…” Então, não tem problema não, Dilma.

Você sabe que eu tava lá no aniversário dele e alguém chegou com a carta e o Paulo Bernardo mostrou, e eu li antes a carta, eu fiquei em choque com aquela carta…eu não acreditava naquela carta…a arma que seria né, pra…

Eu você sabe do profundo respeito que eu tenho pela Dilma, você sabe que eu disse no começo do mandato “o acerto da Dilma, será o meu acerto. O erro dela, será o meu erro. Eu não vou ficar impondo divergência, eu vou na verdade quase que desaparecer do governo”.

Mas isso que eu to perguntando não é uma tentativa de…eu sei que o senhor respeita, mas…

Então deixa eu lhe falar…quando você tem uma pessoa que está no cargo, essa pessoa pode tomar iniciativa e vir dizer para você: “Olha, presidente, eu quero discutir a reeleição, eu quero saber se você acha que sou eu mesmo, eu quero saber se o PT quer que eu continue, eu quero saber…”

Se o senhor desse sinal verde, alguém falaria isso pra ela…

Não, não…

Muitas pessoas acham que foi um erro…

Todo mundo sabia…se você conversar com vários companheiros que eu não vou dar nome aqui, eles vão dizer pra você “eu canse de pedir pro Lula ser candidato, eu cansei de pedir”…o que que eu dizia? Eu chego no Anhembi, vai ter um ato público lá e tem um pessoal gritando “volta Lula, volta Lula” e a Dilma tava para chegar. Então eu tomei a atitude de fazer um discurso, eu disse o seguinte “ó não tem volta lula, a nossa presidenta tá aqui.”

Ora, se o partido quisesse que eu fosse, o partido teria chamado a Dilma, feito uma reunião, me chamado e discutido, na medida em que ninguém fez nada, não vou ser eu que vou ficar brigando pra ser…bom, e graças a Deus elegemos a Dilma. E elegemos a Dilma, numa campanha Mônica, que eu não sei se haverá outra campanha com o ódio que foi a campanha de 2010…

14 no caso…

Aí eu te confesso Mônica, que os meios de comunicação, se não todos, a maioria tem muita culpa pela disseminação do ódio que foi estabelecido neste país, muita. Eu não sei se você já tem uma definição, uma compreensão sociológica de junho de 2013, eu tenho…

O senhor tinha uma e parece que mudou né?

Hein?

O senhor parece que tinha uma compreensão…

Não, veja, é que compreensão.

Na época o senhor achava “ah, tinha o pão, agora quer manteiga”…

É que a compreensão do momento era muito rápida e muito…

Agora o senhor acha que qual é?

Eu lembro que eu fui conversar com o João Roberto Marinho, logo depois, na casa do Palloci, e fui perguntar pro João: “você pode me explicar porque que a Globo transmitiu direto, não só as convocatórias, mas a passeata, porque nunca aconteceu isso”, aí direto eles negaram até último momento, “presidente, eu não sei explicar, tinha um estado de comoção dentro da empresa e todo mundo queria parar, então nós paramos”. Eu falei “João, mas vocês não deram ao vivo, não pararam a grade da Globo pro enterro do doutor João Roberto Marinho, ces pararam para fazer a passeata?” Ali…eu acho que não tá explicado…eu não espero ter compreensão muito rápido, porque esse é um processo histórico, ali eu acho que começava um processo de tentar dar um jeito no Brasil. Eu, Mônica, como diria…

dar um jeito…

…meu amigo Celso Amorim, eu não acredito muito em conspiração, mas também não desacredito.

Você acha que é além fronteiras?

Fotógrafa: Ele diz que só acredita em conspiração hoje em dia…

Eu lembro que na época teve um telefonema do Erdogan porque tinha acontecido na Turquia, aquela…com milhões de pessoas na rua também e aqui no Brasil dizia que a juventude queria uma praça que não sei das contas…Ele falou assim pra mim “Ó Lula, você acha que se fosse um movimento por uma praça, ia ter problema? O problema, Lula, é que aqui os Estados Unidos não quer o nosso papel na Otan e pode ficar certo que aí no Brasil também é o seguinte, os americanos começam a interferir para acabar com esse negócio do Brasil ser protagonista internacional.”

O senhor acredita nisso? Porque na época o senhor não acreditava…o Putin falou alguma coisa com o senhor também, não?

Não. Porque eu era muito simplista, a gente vai evoluindo, pra isso que serve a idade. Você vai ver daqui há dez anos como você vai estar mais esperta…
Jornalista: Demora ainda…

Hoje eu tenho mais clareza…porque que quando nós descobrimos o Pré-sal, os EUA imediatamente colocou a quarta frota que estava desativada no atlântico sul? Porque? Porque o incomodo quando eu propus a criação do conselho sul-americano de defesa. Porque que eles se incomodaram quando nós criamos a Celac?

Aí o senhor acha que isso chega hoje num ponto de do que nós temos hoje com relação ao senhor.

Eu acho que o Brasil virou protagonista demais…

O senhor faz uma conexão entre tudo isso e o que tá acontecendo com o senhor agora?

Faço.

Faz?

Faço, eu faço e se eu tiver errado ainda vou viver para pedir desculpas. Mas eu sinceramente, ô Mônica, o processo de mentiras, o processo de inverdades que se construiu contra o Lula e contra o PT, veja eu disse isso na primeira plenária do PT em Brasília em 2015, “o PT precisa tomar cuidado que está em andamento um processo de criminalização do PT”.

Mas como que esse processo além fronteiras chega aqui? Como é que o senhor vê sinais disso?

Eu vejo sinais na transformação de uma mentira em verdade.

Mas o senhor acha que os procuradores vão lá nos EUA se reúnem com um mentor, como é..

Agora mesmo o Moro tá lá pra receber um prêmio dessa Câmara de Comercio Brasil – EUA…

O senhor acha que tem uma voz central nisso?

Ele foi lá para ficar 14 dias, quando na verdade, eu já fui lá receber prêmio e volta no mesmo dia. Ô querida, não me peça provas de uma coisa que eu não tenho, eu apenas estou insinuando que pode ser, tal é a similaridade de comportamento, tal é a proximidade do Ministério Público Brasileiro com a Secretaria de justiça dos EUA, tem muitas similaridades…e eles têm muito interesse no Pré-sal, muito interesse, quem tá ganhando dinheiro hoje comPetrobras é a justiça americana. Então é preciso que a gente analise corretamente para não cometer erros, sabe?

Agora, presidente, o senhor acha que o senhor consegue, o senhor sempre foi uma pessoa que *inaudível* saía por aqui e dava uma volta por cima, agora o senhor tá vendo um caminho de escapatória, não sei se é a palavra, mas um caminho de saída, presidente…veja bem, o senhor tem duas condenações, o senhor tem sinalizações de Brasília muito fortes, do TSE, praticamente o presidente do TSE já disse que não passa sua candidatura, por onde o senhor vislumbra um caminho agora

Deixa eu te falar, e muito simplista essa pergunta agora, Mônica, porque o problema não é esse, o problema que você deveria estar perguntando pra mim, é se eles vão conseguir juntar uma prova de cinco centavos na minha vida. Esse é o dilema, Mônica.

Mas presidente, eles já condenaram o senhor…

Eu não tenho que encontrar saída, Mônica. O que vocês da imprensa tem que pedir é provas. Vocês não podem retratar ipsis litteris a mentira da Polícia Federal. Ontem eu fui prestar um depoimento, pasmem, um depoimento porque em 1992, a Odebrecht contratou o Frei Chico para uma consultoria pagando três mil reais por mês. E olha que o Frei Chico era do Partidão.

E olha que isso deve ter sido coisa de companheiro sindicalista ligado ao partidão. Todo mundo sabe que a Odebrecht tinha um companheiro que era sobrinho do Giocondo Dias, que era uma espécie de diretor institucional da Odebrecht, sabe? Eu nem conhecia o Emílio Odebrecht em 92, então veja, eu fui com toda boa vontade para não ficar nervoso, mas o objetivo do cara era tentar dizer que eu prestei favores a Odebrecht porque a Odebrecht deu um emprego para o Frei Chico de três mil reais. Você veja onde chega a insanidade, a insanidade.

Então essa gente está me acusando há cinco anos, essa gente não sabe o mal que causou a minha família. Eu tenho todos os meus filhos desempregados, todos. Sabe? Todos desempregados. E ninguém consegue arrumar emprego. Sabe? Mas a gente já poderia ter mostrado à opinião pública um cheque de cinco centavos, um cheque na Suíça, na Bahamas, na Finlândia, na casa do cacete. Sabe, essa gente já encontrou na casa do Cunha, na casa do Geddel, na casa do Sérgio Cabral, na casa do Nuzman, na casa de não sei quem, na casa de não sei quem. Porra, eles já foram na minha casa, revistaram meu colchão, já visitaram tudo que é banco, já foram nos meus, como chama aí? O acervo…porra mas eles podem me desmoralizar. Eles podem, se eles tiverem uma prova…agora a última é que inventaram, eu não sei falar o nome inglês aí da contabilidade da Odebrecht…

Assessor: My Web Day

Inventaram esse negócio aí, inventaram esse negócio, inventaram esse negócio…e nós estamos exigindo: abre esse negócio. O que que eu quero Mônica? Eu quero o seguinte, abre para saber se tem cinco centavos meu. Então o que que eu espero da justiça, Mônica? Eu espero que a justiça não me julgue politicamente, porque politicamente eu tenho uma tese, mas como eu to depositando o meu futuro na decisão da justiça, eu quero que eles investiguem, se eu tiver uma prova, Mônica, eu não só não posso ser candidato, como eu tenho que ser preso.

Mas presidente, a justiça já se pronunciou.

Se pronunciou uma instancia da justiça…

 Duas instancias…

Uma instância que se pronunciou antes de conhecer o processo, o relator nem tinha lido a defesa e já fez elogio da sentença. Mônica, eu nunca tive, deixa eu te falar para você saber com quem você tá lidando. Você tá lidando com um homem muito tranquilo, um homem que sabe o que está sendo traçado pra ele, um homem que desde oimpeachment e eu dizia para quem quisesse ouvir aqui dentro, que o impeachment era para o Lula…eles não poderiam fazer o impeachment da Dilma e dois anos depois deixar o Lula voltar gloriosamente para o poder nos braços do povo, era preciso impedir o Lula e para impedir o Lula nós temos que tirar o cargo e começaram a inventar um processo de mentiras contra mim.

Eu desafio as mentiras, eu quero que a Folha prove um cheque na minha vida, a Folha tem um jornalismo investigativo muito bom, eu quero que a Folha investigue um centavo na minha vida…

Mas presidente o senhor disse que sabe o que está sendo traçado para o senhor, o que que está sendo traçado para o senhor? Aí eu vou voltar na minha primeira pergunta…se o senhor sabe…

Eu sei quais são os objetivos deles…os objetivos dos meus adversários, o objetivo de uma parte da elite brasileira é não permitir que o Lula volte a ser candidato à presidência da república.

E eles estão há um passo de conseguir isso ou não presidente?

Não.

O senhor acredita mesmo que o senhor…

Vamos aguardar querida, porque eu não posso…se eu acreditar que o jogo está definido, o que que eu tô fazendo neste país?

Não, o senhor se não for candidato tem todas as condições de tornar viável uma outra candidatura…

Mônica, deixa eu te falar uma coisa, eles sabem que o problema não é eu ser candidato, eles sabem que o problema é eu na rua. Eu quero saber o seguinte: eu proibido de ser candidato na rua fazendo campanha, como é que eles vão ficar

O que que o senhor acha que eles então…

É que eles estão me transformando numa vitima desnecessária. Você sabe o que acontece? Esse juiz Moro, esse juízes que me julgaram eles deveriam aprender que existe uma palavra desculpa, quando a gente erra, a gente pede desculpa, sabe? Não é possível que essa gente não pense no futuro desse país, na história desse país, todo mundo sabe a mentira contada nesse julgamento, todo mundo sabe…quando eu fui a primeira vez prestar depoimento pro Moro, o que que eu disse, eu disse “Olha, você está condenado a me condenar, a mentira…”

Mas o TRF4 também tava?

Tava, tava antes até. A mentira…

E o TSE também?

…a mentira foi tão longe…a história daquele Power Point do Delagnol, aquele moço precisa ser exonerado antes que ele afunde o Brasil, ele é irresponsável, ele é irresponsável, ele montou um desenho que não tem pé, nem cabeça, não tem nenhum fundamento. Um cidadão depois de apresentar um negócio acusando o partido depois de uma hora e meia, esse cidadão fala “não me peçam provas, eu só tenho convicção”, ele deveria sair dali exonerado…

Mas não saiu, presidente. O senhor que saiu condenado. Eu tô tentando lidar com o fato objetivo porque o senhor não aceita discutir uma possibilidade do senhor não ser candidato…

Veja, eles têm o poder de me fazer não ser candidato…

Tem.

Mas que façam…

O senhor não abre nenhuma brecha para discussão…Antes disso o senhor não abre nenhuma brecha?

Não abro, não abro. Se eu fizer, minha filha, eu to dando como fato consumado e eu não vou dar fato consumado. Eu vou brigar até ganhar.

Há algumas correntes, quer dizer, uma como essa do senhor, vamos levar até ganhar e outras pessoas que acham que o PT deveria começar a discutir ter candidato próprio ou fazer uma frente de esquerda ou até boicotar as eleições. Qual das três o senhor descarta completamente?

nenhuma, nenhuma…eu acho que quando chegar o momento certo o PT pode discutir todas…

Mas não tem nenhuma delas que o senhor descarte?

Não, não…

Por exemplo o boicote as eleições…

Eu sou contra boicotar as eleições.

ah, essa o senhor descarta.

Como eu fui contra o voto branco em 94 contra o Mário Covas, que era uma proposta que uma parte do PT queria e eu fui para Santo André apoiar o Mário Covas, Sergio Damião e o Suplicy para evitar que o PT tomasse essa decisão.

Então essa é uma proposta que não existe na sua cabeça…

Não, não existe…deixa eu falar uma coisa pra você, eu só vou aventar de uma outra candidatura quando for confirmado definitivamente que eu não sou candidato. Porque depois de uma decisão da suprema corte, eu disse quando era presidente “contra a suprema corte a gente pode até não gostar, mas não tem pra onde recorrer…o que que eu espero? Eu acho que se permitiu durante muito tempo a judicialização da política e a politização do judiciário. E isso causou um transtorno muito sério ao país.

Ainda quando a Dilma era presidente, eu sugeri pra Dilma, que “olha Dilma, tá na hora de você fazer uma reunião com a Suprema Corte, com o presidente da Câmara, com o presidente do Senado, presidente do TSE pra discutir um pouco esse país…ou seja, todo mundo assumir uma parcela de responsabilidade e não jogar só nas suas costas”, eu acho que é preciso a gente voltar a fazer com que as instituições funcionem para aquilo que elas foram criadas. Sabe? O STF é um garante da nossa constituição e é importante que ele seja um garante.

Quando uma pessoa recorrer a Suprema Corte, qualquer que seja a pessoa, ele tem que ter certeza que ele vai ser julgado ali com muita deferência, com muita imparcialidade e as pessoas vão ter que mostrar o seguinte, “eu quero condenar a Mônica Bergamo, eu tenho que juntar prova contra ela. Eu não posso só não gostar dela e dizer que ela vai ter que ser condenada.” As pessoas precisam parar de votar pela imprensa, é uma coisa muito séria o que estamos vivendo no Brasil. Então o Congresso precisa voltar a ter respeitabilidade, a instituição presidência precisa voltar a ter respeitabilidade e as instâncias do judiciário precisam voltar a ter respeitabilidade, pra sociedade ter em quem acreditar, em quem depositar confiança. Agora, Mônica, mais grave do que tudo isso que você, que a gente tá discutindo aqui, é que eu sou uma pessoa só, o que me preocupa no fundo no fundo, Mônica, num é a pessoa Lula, eu já tenho 72 anos de idade, eu já fui…

Mas por isso que eu to tentando falar com o senhor…

Eu tô é preocupado com o Brasil meu amor…esse país em 2008, 2009, em plena crise, esse país era o país mais otimista do mundo, o país que mais acreditava no futuro…essa país tinha o IBAS, os BRICS, esse país estava numa ascensão extraordinária. Nós em 2008 imaginávamos ser a quinta economia do mundo e de repente nós estamos nessa situação que nós estamos, o povo desempregado, o salário caindo e todo mundo achando que quanto mais direito você tirar dos trabalhadores, mais vai ficar bem o Brasil, não é verdade.

O púnico jeito de ficar bem o Brasil, é o povo estar bem. E o que que acontece, você não consegue, Mônica, fazer as mudanças que o Brasil precisa, não tem mágico na economia, você pode tirar o Ilan do Banco Central e colocar o Trabuco, você pode tirar o Trabuco e colocar o Lazaro Brandão, você pode tirar e colocar o velho Setubal, não tem jeito, tem uma coisa que você precisa levar em conta chamada credibilidade. Credibilidade não é uma palavra mágica, é uma construção que você vai conquistando ao longo do tempo, quando você falar, as pessoas seguem e acreditam que vai acontecer. Você tá lembrado que eu fui fazer um pronunciamento no dia 23 de dezembro de 2008 para dizer pro povo brasileiro consumir…

sim, eu lembro…

Tá lembrada? Eu fui dizer para o povo consumir. “Olha, tão dizendo que o comércio não tá vendendo, tão dizendo que você vai perder o emprego, que por causa da crise ninguém quer comprar porque vai perder o emprego, tudo isso é verdade, agora você perderá o emprego com mais facilidade se você não consumir, consuma de forma mais responsável. E pela primeira vez na história do Brasil a classe C e D consumiu mais que a classe A e B neste país e o Brasil não afundou.

é, não afundou naquele momento.

Eu tinha dito que era uma marolinha só…

Presidente, uma liderança como o senhor é difícil né…leva muito tempo para construir essa credibilidade, você até falou nessa entrevista, se você tem dinheiro você faz um candidato, se não tem, tem que construir. Imaginemos que o senhor consiga ser candidato, que o senhor consiga ou perder ou ganhar, haverá um momento que se terá…

A única coisa que não consigo mentir é que se eu for candidato eu ganho (risos).  Se eles soubessem que eu fosse perder eles até deixavam eu ser candidato.

É que estou colocando aqui as várias possibilidades… Aliás o senhor falou uma frase que gerou uma curiosidade. O senhor falou “estou candidato”. Por que o senhor falou estou e não sou?

Porque eu não sou candidato. Eu só posso ser candidato quando tiver convenção oficial do partido.

Outra coisa que o senhor falou ali que também despertou a análise: “o PT é o único partido que pode recuperar a auto estima”. Então isso também seria uma sinalização de que o PT vai ter candidato, com ou sem o senhor?

Mônica, você sabe qual é a sua consideração como jornalista. Então vou dizer uma coisa pra você, analisa 100 anos de república e veja se todos os presidentes já apanharam 10% do que eu estou apanhando. Analisa os partidos políticos. O que muita gente se incomoda é que quando sai um Datafolha e perguntam qual é o partido de preferência, o PSDB e o PMDB tem 1%. O PT tem 20%. É isso o que deixa algumas pessoas atônitas, porque esse partido não morre? Você há convir que o PT é o mais importante partido que nós temos na América Latina. É o partido de esquerda mais importante hoje com exceção da China e de Cuba, que são partidos únicos, é o partido mais importante da esquerda no mundo. Temos uma experiência de governança extraordinária, lógico que nós temos defeito. Mas você pega as governanças do PT nas cidades e nos estados, elas são exemplares. Faz só um ano que o Dória ganhou aqui em São Paulo e o povo está com mais saudade do Haddad do que quando ele estava no governo. Esse fenômeno que muita gente fala “porra, a gente não consegue destruir”, é porque o PT foi criado diferentemente. Historicamente o PT vem de uma construção debaixo pra cima muito sólida. Hoje eu tiro fotografia com a neta de cara que fundou o PT.

Hoje as pessoas me trazem uma criança pra tirar foto e trazem foto da mãe no meu colo quando tinha um ano de idade. Essa construção está consolidada. Além do que o povo traz uma marca do que foi o nosso mandato. Você não tem noção do peso das políticas sociais na cabeça das pessoas. É por isso que muitas vezes tentam desconstruir essas coisas que o PT fez.

Presidente, o senhor citou o Haddad e eu queria fazer uma colocação aqui que ele fez, muito antes de estar nessa situação atual que a gente está do senhor condenado e de todas essas coisas que podem vir pela frente. Que o PT, mesmo sendo o maior partido da esquerda, não vai mais ter a hegemonia da esquerda e que tem que se começar a discutir as possibilidades do PT não ser o cabeça de chapa e etc. O que o senhor acha disso? O senhor ganhando ou não ganhando, sendo candidato ou não, em algum momento haverá o pós Lula, certo? Como o senhor vê isso?

Eu sou contra a tese da hegemonização. Em algum momento pode ter um candidato de outro partido e o PT apoiar. Se o Eduardo Campos tivesse aceitado a proposta que fiz pra ele e pra Renata Campos em Bogotá em junho de 2011 dele ser  vice da Dilma e ser o candidato em 2018, ele estaria sendo o candidato agora. Em 2010 era necessário o PMDB na vice porque a Dilma não era conhecida então ela precisava de mais tempo na televisão. Mas em 2014 ela não precisaria mais.

O Eduardo Campos poderia ter sido vice dela e agora a gente estaria gostosamente discutindo a candidatura dele à presidência da república e não a minha. Se fosse fácil construir um candidato, você acha que eu seria candidato. Eu não seria candidato. Eu já fiz, por esse país – com a compreensão do povo e a ajuda do povo porque se o povo não ajudasse eu não teria feito – já fiz o que ninguém conseguiu fazer. Então porque você acha que eu ia querer voltar? Eu prometi pra coitada da Marisa em abril de 1978 que eu ia fazer meu último mandato no sindicato. Convoquei um assembleia e aprovei que nenhum presidente do sindicato poderia ser presidente mais de duas vezes e que eu ia voltar pra casa pra cuidar da minha família.

Quando eu deixei a presidência eu falei “Marisa, agora eu vou ficar em casa”. Se ela tivesse viva você acha que eu ia ser candidato? Você acha que não tava na hora de eu baixar o fogo?

Mas o senhor nunca baixou, nunca colocou claramente “não sou mais, eu vou me aposentar”.

Mas na política não se faz isso. Eu quando digo que não sou o Lula, sou o crescimento da consciência política de milhões e milhões de brasileiros. Sou o resultado disso e é por isso que não posso dizer “não sou ou quero ser”. Eles estão tentando destruir o PT e o meu papel é viajar o Brasil pra não deixar destruir. A vida gente vale pelo que a gente fez e não pela idade. Eu tenho consciência do que fiz nesse país. Tenho consciência da liderança que eu tenho, mas ao mesmo tempo tenho consciência que se esse povo não confiasse em mim eu não seria nada. Quantas pessoas subiram e caíram?

Presidente, o senhor falou recentemente num discurso, e ficou na minha cabeça. O senhor disse que se 10% das pessoas que foram pras ruas depois de Getúlio morreu tivessem ido antes ele não teria morrido. O senhor acha que a população está indo pra rua no volume que o senhor esperava? Claro que sempre vai ter rua no caso do senhor, eu digo rua de “dez dias”, com capacidade de mudar o resultado.  O senhor sente falta do povo na rua?

Eu disse que se o Getúlio tivesse tido em vida 10% das pessoas defendendo ele que teve no enterro dele, obviamente que ele não teria se matado.

Você teme que isso ocorra com o senhor? Não estou dizendo morte de verdade…

Tem duas coisas que você não vai me ver fazer. Gosto da vida pra cacete. Quero viver muito. Tô achando que sou o cara que nasceu pra viver 120 anos. Tô me preparando, levanto todo dia 5h da manhã, faço duas horas e meia de ginástica todo dia, tomo whey todo dia pra ficar bem forte e vou levando a vida assim. Então não tenho essa perspectiva nem de me matar, nem de fugir do Brasil. Vou ficar aqui. Aqui eu nasci, aqui é meu lugar. Tenho uma relação com o povo muito fiel e honesta. Eu cansei de dizer a vida inteira, se você pegar meu discurso de 79 no sindicato você vai ver eu dizendo que não tenho medo de nada. A única coisa que eu tenho medo é de trair o povo trabalhador nesse país. E isso não vou fazer e por isso que tô aqui fazendo minha guerra.

E o povo na rua, presidente?

Veja, você não leva o povo na rua pra qualquer coisa. Também não duvidem do povo na rua, porque ele pode vir. E eu não chamo o povo pra ir pra rua. Ele nunca foi chamado. Eu sou um homem tão civilizando e acredito tanto nas instituições, que tô apostando nas instituições. Tô fazendo as caravanas pra rediscutir o legado do povo brasileiro. Porque o que eles querem é que esqueçam. Eu quando ouço um discurso como aquele da aluna da PUC na semana passada, você não tem noção de como minha alma tá lavada.

Quando vejo aquela antropológa que ganhou o maior prêmio de antropologia dos Estados Unidos fazer um discurso dizendo que graças ao governo Lula ela ganhou aquele prêmio, aquilo lava minha alma. Então eu ando o Brasil não chamando o povo pra uma pregação contra ninguém. Eu ando chamando o povo pra ele acreditar que é possível esse país ser diferente. Esse país pode ser protagonista internacional, pode ser respeitado pelos EUA, pela Europa, pela China, pela Índia, pela Rússia. Esse país pode voltar a ser um país que construa um desenvolvimento da América do Sul.

A Petrobras precisa voltar a ser brasileira. É por isso que vou fazer um referendo revogatório se ganhar as eleições. Porque não é possível um governo que não tem competência de administrar e que tem que vender quando casa com a mulher a cama, a geladeira, o fogão porque não dá pra sustentar a mulher, é menor não casar. Quem não sabe governar esse país não se meta a concorrer.

Presidente, o senhor falou que podem tomar a decisão que quiserem que o senhor não tem medo. O senhor não tem medo de ser preso? Porque isso é algo que está próximo, se o Supremo não der um Habeas Corpus pro senhor.

Sabe porque não tenho medo? Tenho a consciência tão tranquila. Sabe do que tenho medo? É que ele pudessem mostrar pra minha bisneta que fez um ano domingo, que o bisavô dela roubou um real. Isso me mataria.

De ser preso o senhor não tem? Está preparado?

Não tenho. Estou preparado. Tô tranquilo e tenho certeza que vou ser absolvido. E que não vou ser preso.

Já se chegou a falar em greve de fome…

Não falei nada de greve de fome. Já fiz greve de fome, mas sou contra do ponto de vista religioso. Não acho correto você judiar do próprio corpo. Lembro que quando fiz greve de fome, o Dom Claudio Hummes foi a cadeia pedir pra eu parar a greve de fome. Quando aquele bispo da Bahia fez greve de fome contra a transposição, eu fui procurar o Dom Claudio e disse “você disse pra mim que não podia fazer greve de fome, então vá dizer pro seu bispo agora” e veio uma carta do vaticano pro bispo.

A única coisa que eu tenho é minha consciência tranquila, eles podem escarafunchar a minha vida. Você sabe o que fico muito ofendido moralmente? Que esse bando de moleque invadiu minha casa 6 horas da manhã, cada um com uma máquina pendurada no pescoço, e cada um com um sorriso, achando “agora pegamos”. Depois de ficar na minha casa três horas, levantaram o colchão da minha cama, reviraram tudo e não encontraram nada. Eles poderiam ter saído, chamado a imprensa e falado “queríamos pedir desculpa porque não encontramos nada”.

Eles saíram com o rabinho entre as pernas e não falaram nada. Poderiam ter falado. Seria minha desmoralização. “Ah, encontramos uma barra de ouro na casa do Lula, um pacote de cem dólares na casa do Lula…”. Poderiam ter falado isso, mas ao não encontrar nada, ficaram quietos. Quando deveriam ter dito: “olha, queria dizer ao povo brasileiro, que nós cumprimos uma ordem judicial a pedido do ministério público e não encontramos nada”. Não seria bom a Folha ter publicado a manchete?  Policiais não encontram nada na casa do Lula. Seria maravilhoso pra mim. Foram na casa dos meus filhos.

Agora, veja que engraçado o que aconteceu com o Marcelo Odebrecht. Depois de três anos preso, Marcelo Odebrecht é solto e consegue encontrar um computador que tinha uns emails que a polícia não tinha achado. Ora, se a polícia vai na minha casa e pega Ipad de neto de três anos, como é que foram deixar um computador do Marcelo Odebrecht que é maior, é bem grande, que é possível achar. Então você solta o cara pro cara começar achar email depois? Esse negócio deles não darem ouvidos ao Tacla Duran… Ora se é verdade o que o Moro diz dele, deixa ele prestar depoimento. O Moro diz que bandido não tem responsabilidade, por que que ele ouve bandido? Quando leva um Pedro Correa pra prestar depoimento contra mim, se o Moro entendesse um milímetro de política, ele não deixaria nem o Pedro Correa entrar naquele salão.

E quando é o Palocci que fala mal do senhor, presidente?

Eu acho que é uma pena. Porque eu acho que o Palocci tentou ganhar a liberdade dele a qualquer custo. E acho que o Palocci perdeu, a história do Palocci se esvaiu com isso. Eu lamento porque eu gostava muito do Palocci. Acho que o Palocci foi uma pessoa que prestou um grande serviço a esse país. Não só gostava do Palocci como gostava do filhos, da mãe dele. Eu acho que o Palocci demonstrou gostar de dinheiro, porque é a única explicação que tem pra ele fazer delação. Quem faz delação é alguém que ficar com uma parte daquilo que se apoderou. Eu não vejo outra explicação.

Ou quer a liberdade?

Não é só por liberdade. Se fosse só liberdade, o Vaccari não tinha feito a carta que fez essa semana. Porque é o cara que tá preso há mais tempo. E tá demonstrando que caráter e dignidade não é comprável. Eu não imaginei viver esse período. Lembro do Sarkozy conversando com o Zapatero a minha ida pra secretaria geral da ONU. Quando eu era presidente, em 2008. E eu falava “Sarkozy, para com isso”. Porque você não pode politizar a ONU, colocar um ex-presidente lá. Porque se pode indicar ex-presidente, os EUA iriam emplacar todos os ex-presidentes. Então é importante que seja um bom burocrata, tipo o Celso Amorim. Esse Gutierrez que tá lá agora é um bom tipo, esse português que tá lá.

Ou seja, o senhor imaginou outra coisa pra sua vida nesse momento?

Imaginei tranquilidade na minha vida, querida. Imaginei meu fim de vida com a Dona Marisa, cuidar dos filhos que não tive tempo de cuidar e viver. Não me deixaram, ou não estão deixando. Eu poderia baixar a cabeça e ficar pedindo favor, pedir ajuda não sei pra quem. Mas não vou, querida. Não vou porque estou certo. Eu sou de uma família que a minha educação é de uma mulher que nasceu e morreu analfabeta e ela dizia “não baixa a cabeça nunca pra ninguém, nunca roube uma laranja e não baixe a cabeça”. E é isso que vai me fazer seguir em frente.

Presidente, a gente tem algumas situações que elas são questionadas se é crime ou não. Tem casos de coisas que são revistas 20 anos depois. Então sempre uma decisão judicial não necessariamente tem que ser incontestável. Agora queria perguntar do ponto de vista político, ético, algumas coisas… do sítio mesmo. Por exemplo, porque as empreiteiras fazerem uma reforma no sítio que o senhor frequenta, seguramente ou obviamente, a reforma foi feita pro senhor, não foi feita pros donos do sítio. Não foi algo um pouco indevido, inadequado, que se chama de uma relação promiscua entre político e empreiteiras.

Então esse é um outro tipo de processo. Não é o processo que estou sendo vítima. Essa pergunta espero que seja feita em juízo pelo Moro. Primeiro disseram que o sítio era meu. Já prestei depoimento sobre isso. Aí foram investigar e descobriram que o sítio tem dono com um cheque administrativo. Comprado. Que foi o Jacó Bittar que deu dinheiro pro filho dele comprar, sabe que o Jacó Bittar tirou o dinheiro da poupança dele pra comprar. Isso eles já tem. Então eles mudaram de que o sítio era meu pra que fizeram favor. Se fizeram favor, não me pediram. Fiquei sabendo desse sítio dia 15 de janeiro de 2011. Já quando eu tava no Guarujá tomando porrada da imprensa porque eu tava utilizando a praia do Guarujá, que sempre foi utilizada por ex-presidentes, governadores e o Jobim me fez um bem e me convidou pra ir lá. Aí eu conheci. Eu não sabia de quem era o sítio. Aí me disseram que era do Jacó Bittar e pra mim ficou.

O senhor foi inocentado no caso da OAS, do acervo. Pronto, tem uma sentença de absolvição. Não é crime. Mas por que a empreiteira tinha que pagar isso, por que a empreiteira tinha que reformar o sítio, tinha que fazer todas essas coisas? Por que essa relação?

Então aí nós vamos perguntar no processo pras testemunhas que conhecem lá. Da própria Odebrecht. Quando eu for prestar depoimento espero que essas sejam as perguntas que eles me façam.

Mas eu estou fazendo agora…

Mas você não é juíza. Vou esperar o Moro fazer. Porque se eu responder pra você, o Moro não vai fazer outras. Então quero que me faça essas, que sei que vai fazer. E aí sim, quer discutir a questão da ética, vamos discutir a questão da ética, é um outro processo. Quero saber onde eles vão chegar. Quero saber o limite da mentira.

Vamos pegar o Instituto. O Fernando Henrique era presidente e discutiu com empresários dentro do palácio contribuições pro Instituto dele. Nunca teve investigação, nunca teve nada. Mas teve um questionamento da imprensa, teve um questionamento ético. Por que os ex-presidentes tem que ficar pedindo dinheiro pra empresa? Acabou que no Instituto o senhor acabou seguindo esse modelo também…

Mônica, deixa eu te dizer uma coisa. É porque nesse país somos mais hipócritas do que em outros. Veja, eu me recusei a discutir Instituto antes do dia 31 de dezembro de 2010. Eu não aceitava discutir nem com Dona Marisa, nem com o senhor Paulo Okamotto, com ninguém. “Primeiro eu vou cumprir o meu mandato”.

Quando eu deixei o meu mandato, quando eu voltei de férias, eu fui despachar numa sala de hotel porque aqui entrou em reforma. E aí nós decidimos. “A gente vai voltar pro lugar de onde saímos”. Foi daqui que saí pra ser presidente, e volto pra cá. Quando falo pra você que tenho a mais absoluta certeza que duvido que algum companheiro meu pediu dinheiro pro Instituto enquanto eu era presidente da República. Depois que nós deixamos a presidência a direção do Instituto foi pedir. O que é normal e é legal. Nesse país a hipocrisia é tão grande que o presidente da república ganha uma quantidade de coisas que ele nem sabe.

O presidente não sabe de 90% das coisas que ele ganha porque é entregue de forma protocolar pro cerimonial. E depois, no meu caso, um cara de Manaus do Ministério Público fez um processo dizendo que eu tinha ganho muita coisa de ouro. Sabe o que nós fizemos quando saímos de lá? Não tinha onde colocar aquilo, eu ia trazer pra minha casa. Foi pedido para que o Banco do Brasil guardasse. Tá lá guardado até hoje. E eu não vou levar pra minha casa nunca porque não tenho onde guardar. Então, é o seguinte. Eu não fujo da minha responsabilidade. Vou até te convidar pra ir no meu depoimento daqui pra frente (risos).

Por que? (risos)

Porque, veja, muita gente acha que sou contra a Lava Jato. Eu tenho orgulho de pertencer a um partido e um governo que criou os mais importantes instrumentos de apuração de corrupção e de lavagem de dinheiro nesse país. Não foi ninguém de direita, não. Fomos nós. A começar pelo meu companheiro Márcio Thomaz Bastos, depois Tarso Genro, depois a Dilma seguiu em frente com o Zé Eduardo Cardoso.

Nós criamos todos os instrumentos e não criamos pra nos proteger, criamos pra nos fiscalizar . E isso nós fizemos imaginando que a Justiça iria fazer as coisas acontecerem corretamente. E o que virou a Lava Jato? A Lava Jato virou refém da imprensa e a imprensa virou refém da Lava Jato. Você cria um processo de contar histórias, e uma parte da imprensa transforma mesmo que seja mentira aquela história em verdade no imaginário da opinião pública. Aí vai da Polícia Federal pro Ministério Público e depois pro juiz e vai construindo.

Por isso que quando fui prestar depoimento pro Moro eu disse “você não tem como me absolver, você tá comprometido”. Porque é uma mão de duas vias. Eu acho que esse país tem que acabar com a corrupção. Mas o que que eles fizeram? Eu não concordo. Eu quando criei a delação premiada não era pra ficar com um cara preso três anos obrigando o cara a dizer o que eles querem. Não é pra construir discurso pro cara. Você viu o depoimento do cara da Odebrecht? Que o cara falou que foi chamado pra contar uma história. Mas que história? Onde é que estamos vivendo?

A questão de corrupção no governo, eu estava vendo aqui no Datafolha, 54% acham que o senhor sabia e deixou ter corrupção, 29% acham que o senhor sabia e não podia fazer nada. Ou seja tem muito eleitor seu aqui, provavelmente. O que o senhor diz pra essas pessoas? Era possível não saber?

É possível eu não saber até hoje. Mônica, você tem filhos? Você sabe o que ele está fazendo agora? Quando você tá na cozinha e ele tá no quarto você sabe o que ele está fazendo? Esses dias me contaram uma história. Teve uma decisão judicial importante sobre uns juízes vendendo sentença. Sabe qual foi a decisão desse julgamento? O juiz não é obrigado a saber o que está acontecendo do lado da sua sala. Ninguém é colocado no governo pra roubar. Ninguém traz na testa “eu sou ladrão”. Há um critério eu diria até rigoroso, sobretudo pra funcionários que são públicos, de carreira. Há um critério. Você pensa que é fácil indicar alguém pra Petrobras? Pro Banco do Brasil? Eles passam pelo critério, passam pelo Gabinete Institucional. Vai investigar se o cara tem passagem pela polícia.

O cara quando é indicado a um corpo diretivo o cara é indicado porque não tem nada contra ele. Eu vi o depoimento do Barusco outro dia. É vergonhoso. Ele fala que desde 96 ele tinha esquema de levar dinheiro, que assinava um monte de coisa… Mas por que quando você foi fazer seu relatório você começou só em 2003? Porque era preciso pegar só o PT. O que é engraçado é que isso não tem destaque nenhum na imprensa, é como se isso não existisse. Eu tenho orgulho, se você pegar o histórico do nosso partido, nós tiramos o carpete da sala. Não tem tapete. Só tem um jeito de você não ter problema, é sendo honesto. o que eu acho grave é que quando você cria uma instituição e dá força pra ela, se você pegar não tô falando isso de hoje, se você pegar o discurso na posse do Gurgel, eu digo: “o Ministério Público é uma instituição tão forte que os componentes do MP tem que ter mais responsabilidade”.

O senhor não teria hoje esse sistema de indicação?

Eu não sei, depende de quem é indicado. Na verdade esse critério é uma herança minha do movimento sindical. Eu acha que era o mais acertado. Hoje eu iria analisar o histórico da pessoal na categoria. O melhor cara que tem no Ministério Público eu não indiquei porque diziam que ele era petista. Só pra lembrar você que eu não indiquei.

Quando o senhor fala que não respeita a condenação, o que é exatamente que o senhor quer dizer?

Eu não utilizei a palavra acato ou não. Eu utilizei a palavra “eu não respeito essa decisão”. Porque se eu respeitar a minha neta quando compreender a vida não vai me respeitar. Porque todo mundo percebe que foi uma montagem do TRF4.

O senhor acha que uma eleição, independente de quem tiver na cédula, vai conseguir formar uma maioria pra resolver o problema do Brasil ou nós estamos em um impasse que vai se prolongar? O analista Lula, não o candidato.

Mônica, eu vejo alguns pronunciamentos muito equivocados. Veja eu fui candidato muitas vezes e perdi. Perdi em 89, 94, 98. Você nunca me viu protestar. Quem ganhou leva, eu posso não gostar. Quem ganhou, leva e governa. E eu vou ter que me preparar. O que é engraçado é que num sistema presidencialista, e em vários lugares do mundo, com exceção dos países em que você tem um bipartidarismo, você é obrigado a compor. Quem ganhar terá obrigatoriamente que construir uma maioria pra governar se não, não governa.

Quando vejo alguns companheiros dizendo que não gostam do PMDB, o problema não é o PMDB. O problema são os partidos intermediários. É uma somatória de partidos, que juntos fazem parte de uma maioria. E que são pessoas que não tem candidatura a presidente. São pessoas que não querem o poder, mas como eles são aliados nessa eleição, quem ganhar vai ter que conversar com eles.

Quando falo em maioria digo na sociedade mesmo. Nos grupos de poder. O Fernando Henrique fez essa maioria, o senhor fez. Vocês governaram, os outros não. Vai dar pro próximo presidente?

Então, mas bote na cabeça que quem foi eleito é bandido e quem votou é honesto. A cara do congresso nacional é a cara política da sociedade no dia da votação.

Como o senhor vê o Brasil pra frente?

Eu vejo que o Brasil só tende a melhorar. Não pode piorar. Eu acho que esse esgarçamento que aconteceu no Brasil vai permitir que as pessoas assumam mais responsabilidade na construção da normalidade. O poder judiciário tem que fazer o papel do poder judiciário, o executivo fazer o papel do executivo, o legislativo tem que fazer o papel do legislativo. As instituições voltar a funcionar e as pessoas agirem com mais responsabilidade. Nós estamos lidando com gente, são 210 milhões de brasileiros. “Ah mas, o Bolsonaro é isso ou aquilo…”. O Bolsonaro tem tanto direito de ser candidato como qualquer outro.

Quem o senhor acha que vai estar na reta final competindo? Além do PT?

Eu que entendo um pouco de política, vou dizer pra você uma coisa. Eu acho que a disputa deverá ser outra vez entre tucanos e o PT. Eu acho. Pelo peso da máquina, pelo peso da história. É pouco provável o surgimento de uma coisa nova. Eu acho extraordinário o Boulos ser candidato, a Manuela D’Ávila…Pra democracia brasileira é uma coisa extraordinária gente nova entrando na política. Agora, eleição presidencial é uma coisa complicada num país do tamanho do Brasil. A única coisa que eu espero é que a gente tenha responsabilidade, que eu acho que o Aécio não teve, porque ele foi um dos protagonistas do ódio nesse país. Eu disputei campanha com o Serra e com o Alckmin.

O Alckmin foi um pouco mais agressivo, mas você vê na cara dele que quando ele está sendo mais agressivo ele tá fazendo tipo, porque ele não tem cara de ser agressivo. Você percebe que eu debati com todo mundo. Não tenho nenhum problema de conviver. Perdi, perdi, tudo bem. A gente tem que aprender que democracia é alternância de poder. O que assustou o tucanos é que eles imaginavam um projeto de 20 anos de PSDB. Aí entra o PT, o Lula ganha, se reelege, elege a Dilma, reelege a Dilma… Aí começou a paúra: “o Lula vai voltar”. A única explicação que eu encontro pra essa maluquice dessa rejeição ao PT eu acho que é a ascensão social que as pessoas mais humildes tiveram nesse país. Eu lembro que muita gente dizia que não podia ir no aeroporto porque tava parecendo rodoviária. Tem gente que preferia o aeroporto sempre vazio. Tem gente que fala que eu enchi o rua de carro. Porque a gente vendia 1,5 milhão de carros por ano e passamos a vender 3,8 milhões.

A gente não tá falando da classe média, né?

A gente tá falando de uma parcela da sociedade. Eu agora acho que a gente tem que ter um compromisso com o Brasil. Empresário vai ser bem tratado, mas nós vamos ter que fazer uma política tributária mais séria nesse país. É importante você lembrar que eu mandei duas propostas de política tributária e nenhuma foi votada. E uma foi engraçada porque eu fiz reunião com 27 estados que concordavam, com os líderes de todos os partidos que concordavam, com as centrais sindicais que concordavam e com as 27 federações de empresários que concordaram. Eu achei que quando chegasse no Congresso seria aprovada por unanimidade e nem andou.

E por que agora o senhor acha que vai conseguir?

Porque você pode fazer por etapa. Eu por exemplo vou diminuir os encargos da classe média no imposto de renda. Eu acho que a gente tem que taxar agora as heranças, o rentismo e deixar a classe média que vive de salário respirar um pouco. E vamos tratar a questão de investimento na Educação. Não vamos fazer um controle da economia pelos pobres. Porque se não o país não anda. Toda vez que tem um probleminha os pobres são achatados. O pobre não tem mais o que pagar nesse país, ele já pagou a vida inteira.  O que nós precisamos é dizer em alto e bom som: ninguém será enganado por mim. Ou nós fazemos referendo revogatório ou nós vamos propor a convocação de uma constituinte nessa país. Porque a Constituição cidadã que o Dr. Ulysses promulgou ela já teve tanta mudança que tá longe de ser a constituição.

O PT tem força pra isso, presidente?

Não, o PT vai construir essa força. Por isso que nós precisamos ganhar as eleições e construir essa força. Ora, ninguém imaginava que ia ter golpe e teve golpe… Esse país não precisava tá passando pelo que tá passando, nem economicamente, nem politicamente, nem socialmente. Esse país tem muitas condições. Você tem que botar na cabeça que você tem que ter alguns requisitos: primeiro, você tem que ter uma pessoa com credibilidade governando, depois a economia tem que voltar a crescer pra gerar emprego, gerar renda e isso gera crescimento. Não tem outro jeito. Não tem jeito de diminuir a dívida pública em relação ao PIB se o PIB não crescer. Ou você opta por fazer o PIB crescer ou você opta por continuar cortando o Orçamento e todo ano você corta e todo ano você piora as coisas.

O senhor revogaria a PEC do Teto?

Certamente, querida.

E a reforma trabalhista?

O país tá em discussão. Tem coisa na reforma trabalhista que tem que ser atualizada. Mas que não dá pra permitir que os trabalhadores fiquem à deriva nesse mundo do trabalho em que tudo funciona de forma leonina. Uma parte pode a outra não pode. Onde você precariza o salário das pessoas. Vai ter que colocar ordem na casa.

A regulação da mídia o senhor propõe?

Vou propor. Nós fizemos uma proposta, fizemos uma conferência e ficou acertado que no governo da Dilma o Paulo Bernardo iria colocar em votação. Só fala no controle da imprensa pelo controle remoto pra ficar bonitinho, porque é uma fala do Roberto Marinho.

Mas a Dilma falou… e o Ciro também.

Falava equivocadamente. E não ando vendo o que o Ciro tá falando porque ele tá falando demais.

O senhor tá chateado com ele?

Eu não tenho mais tempo de ficar chateado. O Ciro sabe o que faz. Não é a primeira vez que ele é candidato, ele já foi duas vezes. Ele sabe o seguinte: o povo é mais inteligente do que se possa imaginar. O Ciro Gomes ou ele vai pra direita, ou se ele quiser ser candidato à presidência da República ele não pode brigar com o PT. Eu fico fascinado como uma pessoa inteligente como o Ciro fala tão mal do PT. Eu não consigo entender.

Eu lembro que em 2010, foi conversado com o Eduardo Campos, o Ciro veio pra cá, se filiou ao PSB pra ser candidato a governador, e a primeira coisa que ele faz é dar uma esculhambada no PT. Isso não ajuda ele. Vamos ser franco, pela direita ninguém será presidente sem apoio dos tucanos e pela esquerda ninguém será presidente sem o apoio do PT.

E provavelmente cada um deles terá seu candidato…

Eu só acho que o Brasil não pode continuar merecendo essa loucura. O Brasil tem um potencial extraordinário. Eu tentei criar a imagem de que o Brasil se tiver uma boa relação com a América do Sul e crescermos juntos, a gente pode ser um bloco importante.

Eu fiz uma entrevista com o Rafael Correa, antes desse cenário atual. E ele falou que todos os governos latino-americanos fizeram muito programas sociais mas não fizeram reformas necessárias. Lembro como se fosse hoje, estava todo mundo ainda no governo. E ele achava que faltavam um passo adiante. Houve distribuição de renda, mas não ouve mudanças mais profundas na estrutura de poder, na estrutura econômica. Cada país com seu problema, o que faltou? Qual a sua opinião sobre isso?

Eu penso que foram dez anos de muito acerto em política social nesse país. Quando eu cheguei na presidência oIBGE mostrava que nós tínhamos 54 milhões de pessoas vivendo em estado de subnutrição e terminar um mandato garantindo que esse país saísse do Mapa da Fome da ONU foi uma coisa gloriosa. Você não fez mais, porque não podia fazer mais. Todo mundo tentou fazer o máximo que poderia fazer.

Eu achava inclusive que a elite brasileira e a elite latino-americana poderia evoluir um pouco mais, evoluir do ponto de vista de compreensão que quanto menos pobre a gente tiver, quanto mais classe média a gente tiver, quanto melhor for a qualificação profissional das pessoas, quanto mais a gente tiver isso, mais a economia vai crescer e mais todo mundo vai ganhar. Uma coisa muito simples. Esse país viveu uma loucura do etanol. A Europa aprovou até 2020 colocar 10% de etanol na gasolina, o Japão aprovou 3%. Ninguém tá cumprindo mais. O protocolo de Kyoto foi jogado fora. Agora, esse país não gosta de dar certo. Quando fui eleito a primeira vez, as pessoas diziam que o lula deu certo porque fez igualzinho o FHC, aí no segundo mandato falavam que o lula deu certo por causa dos preços das commodities.

Ora, a commodities caiu, mas o dólar duplicou. Então significa que deveria ter dado problema no valor. Esse país deu certo sabe por que? Porque esse país tinha uma microeconomia tão poderosa…Essas coisas é possível escrever concretamente. Quando eu cheguei na presidência em 2003 todo dinheiro disponibilizado para crédito no Brasil, entre banco público e banco privado, era de apenas 380 bilhões de reais. Quando deixei a presidência era 2,3 trilhões de reais. Só pra você ter uma ideia de que o que fomentava a economia desse país era efetivamente a pujança do crescimento do mercado interno, que funcionava de forma extraordinária. Ao mesmo tempo, diziam nesse país que era impossível importar e exportar ao mesmo tempo. Que era preciso que o país ou se voltar pro mercado interno ou pro mercado externo. Nós provamos que era possível o mercado interno crescer e o mercado externo crescer. E nós chegamos a um fluxo comercial de 482 bilhões de dólares, que foi o maior. Todo mundo dizia que o Brasil não tinha que ter importância pra América Latina, foi a nossa relação com a América Latina, o nosso comércio, que fez com que países como a Venezuela nos desse quase 5 bilhões de superávit. Que a relação Brasil Argentina ultrapassasse os 30 bilhões de dólares.

Enquanto isso a Inglaterra dá 8 bi, a França dá 8 bi. Então nós fizemos uma combinação e muita andança. A gente fez política internacional. A gente viajou. Você tá lembrada que eu dizia que o meu ministro de Comércio Exterior seria um mascate? Eu queria ele vendendo, vendendo, vendendo. E aí a gente cresceu porque a gente procurou espaço. Qual era nosso comércio com a América Latina e com a África antes de eu chegar? Ninguém compra porque o presidente é bonito, compra porque se tem oportunidade. Eu ainda antes de deixar a presidência aprovei estender o programa Mais Alimento pra América Latina e pro continente africano, pra vender máquina. Pergunta pra indústria automobilística o que significou o Mais Alimento.

Nós fizemos política industrial. A indústria naval foi um modelo de política industrial. A Embraer foi um modelo de política industrial. A Petrobras foi um modelo de política industrial. É só ver a quantidade de fornecedores pra construir sonda e plataforma nesse país. Então eu sonhei muito com esse país. Joguei fora o complexo de vira lata que esse país tava tomado.

O sr acha que voltou o complexo de vira-latas?

Voltou e voltou levado às últimas consequências. E a Petrobras está no meio. Hoje eu estou convencido de que os americanos estão por detrás de tudo o que está acontecendo na Petrobras porque interessa pra eles o fim da lei que regula o petróleo, interessa pra eles o fim da partilha, assim como para as outras empresas de petróleo. Porque o Brasil descobriu a maior reserva do século 21 e não se sabe se tem outra. Se eu não levar em conta isso…  Pega a quantidade de processos que tem dos EUA contra a Petrobras.

Você vai ver que eles têm mais interesse na Petrobras do que você. Então a gente tem que gostar desse país. Por isso é que a soberania ganha força. A gente tem oito milhões e meio de quilômetros quadrados, a gente tem 200 milhões de pessoas, nós temos um povo extraordinário. Como é que esse país vai ser competitivo e desenvolvido se não investir na educação? É muito bonito usar o exemplo: a China manda não sei quantos milhões de cientistas para os EUA. Mas a Coreia… Enquanto aqui no Brasil todo mundo trata o dinheiro para educação como gasto. Emprestar dinheiro para empresário é investimento, agora emprestar dinheiro para estudante é gasto. Sabe, então essas coisas eu não aceito e quero fazer uma campanha, Mônica, se eu for candidato, mas com muita clareza: Não haverá uma mentira pra esse povo.

Esse povo tem que saber o seguinte: é preciso mudar o Congresso Nacional. Não adianta eleger um presidente e votar em qualquer um para deputado, sabe? Nós vamos… essa campanha vai ser mais politizada. Eu estou só esperando ser candidato.

 Por Lula.com.br

 

Fonte: pt.org.br


Contagem será palco do lançamento da pré-candidatura de Lula

Thumb contagem Publicada em 06/06/2018, 15:10

“Vamos dizer ao Brasil que estamos com Lula”. A declaração da presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann é a síntese do que pensa grande parte do povo brasileiro. É, ainda, espécie de lema que deve ecoar de Contagem (MG) para todas as regiões do país na próxima sexta-feira (8), quando a cidade mineira sedia o Ato Nacional de lançamento da pré-candidatura de Lula a presidente do Brasil.

Com a presença confirmada das principais lideranças do PT, de movimentos sociais, artistas, intelectuais, religiosos e filiados e filiadas de Norte a Sul do país, Contagem será o ponto de partida de uma nova série demobilizações para garantir a Lula no páreo da disputa eleitoral de outubro.

A exemplo do que tem ocorrido desde o dia 7 de abril em Curitiba, onde Lula é mantido como preso político, a importância de manter a presença nas ruas em defesa da liberdade do ex-presidente e pela democracia do país serão imprescindíveis.

“Os atos por Lula aconteceram em todo o Brasil. Isso mostra a vitalidade de nossa militância e a vontade de ter Lula presidente novamente! Queremos Lula pra tirar o país da crise. Lula pode e será nosso candidato. Dia 8 será o grande ato nacional de lançamento (…) Democracia não admite vetos, requer disputa”, disse Gleisi no último dia 27 de abril em ato realizado em Curitiba.

No mesmo evento, o líder do PT no Senado Lindbergh Farias lembrou que Lula sempre foi o plano A, B e L do Partido dos Trabalhadores. “Eles queriam que a gente desistisse de Lula, que pensássemos em Plano B. O futuro é incerto, mas com certeza a luta vale a pena e vamos até o fim com Lula. Quando falei com ele em Curitiba ele me disse que tem cada vez mais certeza que foi preso por que permitiu ascensão das classes mais pobres”.

O líder do PT na Câmara Paulo Pimenta, completou: “Com ousadia e coragem vamos reconstruir o Brasil! Vem com a gente, vem com Lula”.

Credenciamento

Os jornais, redes de televisão, rádios e outros meios de comunicação que desejarem realizar cobertura  do Ato Nacional de lançamento da pré-candidatura de Lula a presidente do Brasil deverão entrar em contato com a Comunicação do PT-MG até as 11h da sexta-feira (8).

O  evento será realizado no Actuall Hotel, na Rodovia Fernão Dias, 3443, Bairro Jardim Riacho das Pedras, em Contagem, Minas gerais.

É preciso enviar email para [email protected] com as seguintes informações:

Veículo:
Nome e função dos integrantes da equipe:
E-mail para contato:
Whatsapp:

Mais informações:
Diretório Estadual do PT de Minas
Secretaria de Comunicação: 31 – 3115-7621

 

Fonte: Redação da Agência PT de Notícias


Dudu defende “chapas puras” proporcionais nas eleições deste ano

Thumb dudu   reuni%c3%a3o pt Publicada em 06/06/2018, 14:59

Em reunião na manhã desta terça-feira (05/06) com os pré-candidatos a deputados estaduais e federais do PT no escritório do presidente estadual do partido, deputado federal Assis Carvalho, aconteceram tratativas sobre as táticas e estratégias que se pretende usar nas eleições para deputado estadual e deputado federal neste ano. 

Um dos pontos discutidos na reunião foi a chamada “chapa pura”, onde o partido buscará eleger seus candidatos sem coligações proporcionais. A tese é defendida pelo vereador de Teresina Edilberto Borges, o Dudu.

“Tenho defendido que o PT deve ter chapa pura para deputados estaduais e federais, até mesmo para manter uma coerência. Se o fim das coligações proporcionais a partir de 2020 é uma forma de oxigenar o partido e evitar que você vote no Francisco e eleja o José, serve a mesma lógica tanto para estadual como federal. É uma forma do partido já se preparar para o futuro”, defende Dudu.

Apesar de demonstrar o seu posicionamento, o vereador defende também as discussões entre os delegados do partido para que se tenha uma conclusão igualitária e que seja a melhor para o PT.

“Essa é uma discussão que nós só iremos sacramentar no dia 20 de julho, no encontro de tática eleitoral que irá reunir 250 delegados do partido no estado. Daqui pra lá, muita água ainda irá rolar, iremos ter várias rodadas de discussões, escutando todos que fazem parte, inclusive os outros partidos. No momento oportuno, todos entrarão em um acordo para que nenhum nem outro sejam prejudicados”, finaliza o vereador.

 

Ascom PT Piauí


Dr. Francisco Costa: de prefeito a liderança estadual

Thumb  dsc0025 Publicada em 07/06/2018, 16:27

São das coincidências da vida que se revelam grandes oportunidades: em 2008, com a mudança do nome a candidato a prefeito de São Francisco do Piauí, a coligação contou com a disposição de um jovem médico para entrar na disputa eleitoral. Com apenas 28 anos de idade, Dr. Francisco Costa entrou em campo no que podemos dizer “nos acréscimos do segundo tempo”. E foi artilheiro: foi eleito prefeito do município com mais de 60% de votação.

“Por problemas de saúde, o então candidato, em entendimento com o grupo e familiares, renuncia e nosso nome foi indicado para concorrer à eleição. Foi uma grata surpresa”, revela Dr. Francisco Costa. 

Como prefeito, focou em ações que para melhorar as condições de vida da população, por isso investiu fortemente nas áreas da saúde, educação, esportes e agricultura familiar, além de mobilidade urbana e rural e moradia popular. O resultado veio nas eleições em 2012, quando é reeleito. 

“Nesses dois mandatos, investimos fortemente em ações que trouxessem melhores condições de vida à população. Construímos e reformamos escolas, abrimos, reformamos e colocamos em pleno funcionamento, unidades básicas de saúde, além de adquirir equipamentos, ambulâncias, ampliamos as Equipes Saúde da Família(ESF)”, relembra. 

A experiência na gestão municipal de São Francisco do Piauí, nos períodos de 2008 a 2014, e a participação na equipe que elaborou o plano de Governo de Wellington Dias, o credenciou a ser convidado a assumir a Secretaria de Estado da Saúde, cargo que exerceu de 2015 a maio de 2017. “Foi um grande desafio, de fazer valer o planejamento que fizemos na campanha eleitoral, de levar serviços de saúde para mais próximo das pessoas. Desafio que, com muita humildade e pé no chão, e com aval do governador Wellington Dias, foi vencido e pudermos descentralizar os serviços de saúde para todo Estado do Piauí”.

À frente do Instituto de Águas, entre 2017 e 2018, Dr. Francisco Costa promoveu avanços no saneamento, perfuração de poços para suprir a demanda por água em municípios do interior e regularização do abastecimento em Teresina onde cerca de 360 mil pessoas beneficiadas.

“E agora iniciamos mais um ciclo, de poder trabalharmos mais pelo nosso Estado, representando os piauienses na Assembleia Legislativa. Por isso, apresentei meu nome como pré-candidato a deputado estadual, por entender que podemos fazer muito mais por nossa gente”, afirma Dr. Francisco Costa.


MST mantém mobilização em defesa de Lula

Thumb mst Publicada em 02/01/2018, 10:27

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmou que vai manter a mobilização marcada para a semana de 24 de janeiro de 2018, data em que ocorrerá o julgamento em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre.

Em nota, o Movimento afirma que não vai recorrer da decisão do juiz Osório Avila Neto, que proibiu a instalação de acampamento de Trabalhadores Rurais Sem Terra e a realização de manifestações nas proximidades do prédio do Tribunal na capital gaúcha, mas reafirma “a importância da unidade de trabalhadores e trabalhadoras e a legitimidade de promover suas livres manifestações de apoio político junto com outros movimentos populares, centrais sindicais e militantes de partidos políticos”.

Na decisão, motivada por um pedido do Ministério Público Federal à Justiça Federal, o juiz afirma: “defiro parcialmente a liminar pleiteada, para o fim de (a) que seja estabelecida área de isolamento para o trânsito e permanência dos manifestantes, correspondente à área formada pelo polígono entre as vias: Rua Edvaldo Pereira Paiva, Avenida Loureiro da Silva e Avenida Augusto de Carvalho; (b) proibir, imediatamente e até três (03) dias após o julgamento do recurso, a formação de acampamento no interior do Parque Maurício Sirotski Sobrinho (Parque Harmonia) e em seus terrenos e estacionamentos lindeiros ao parque e ao Tribunal Regional Federal e às instituições públicas situadas nas adjacências”.

Assinada pelo Procurador da República Max dos Passos Palombo, a ação do MPF baseia-se em um ofício enviado pelo subcomandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, coronel Mário Ikeda, ao presidente do TRF4, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, respondendo a uma solicitação do mesmo a respeito de medidas de segurança envolvendo o julgamento em segunda instancia do ex-presidente Lula.

Neste ofício,  o coronel Mário Ikeda indica a necessidade de adoção de “medidas preventivas de segurança” visando assegurar o “adequado funcionamento do TRF4” durante o julgamento. O subcomandante da Brigada Militar assinala ainda que “o recurso referente à condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganha contornos especiais pois o mesmo se encontra na condição de pré-candidato à Presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores, inclusive figurando em primeiro lugar nas intenções de voto segundo diversos institutos de pesquisa”.

 

Fonte: pt.org.br


Datafolha: Eleitor rejeita políticos ligados ao projeto golpista

Thumb geisa5 Publicada em 05/02/2018, 14:09

Pesquisa divulgada pelo Insituto Datafolha nesta quarta-feira (31), em que o ex-presidente Lula figura como primeiro colocado em todos os cenários simulados, mediu também o índice de rejeição aos possíveis candidatos, ou seja, quais deles não receberiam de jeito nenhum o voto dos entrevistados.

O presidente ilegítimo Michel Temer continua sendo o mais rejeitado: 60% não votariam nele de jeito nenhum para a Presidência da República. Conhecedor da impopularidade de seu governo golpista, é pouco provável que Temer venha a se candidatar, evitando assim um vexame estarrecedor.

Outros representantes desta administração usurpadora, porém, estão entre os nomes cogitados para a disputa eleitoral.  Mas, como mostra a pesquisa, todos os políticos alinhados com o projeto neoliberal que tomou de assalto o país são rejeitados pela população.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), é um deles. Ele afirmou recentemente a órgãos de imprensa que tem ouvido muitos pedidos “do mercado” para que saia candidato. O Datafolha, então, incluiu seu nome em três cenários simulados. Em dois deles, o ministro do governo ilegítimo ficou com 1%. No outro, com 2%.

Os próprios partidos que usurparam a Presidência da República para implantar um projeto desnacionalizador, PMDB e PSDB, amargam a rejeição causada por seus atos. Enquanto o PT é o partido preferido da população brasileira, somente 5% dizem preferir o partido do presidente golpista. O desempenho tucano é ainda pior, com apenas 3% da preferência do eleitorado.

O instituto também mediu o chamado “poder de transferência” dos candidatos, a capacidade de gerar votos em um outro candidato por meio de seu apoio declarado.

O apoio mais rechaçado continua sendo o do presidente Michel Temer: 87% não votariam em um candidato a presidente apoiado pelo peemedebista, e 4% votariam com certeza neste concorrente, além de 8% que poderiam votar. Em novembro, o índice de rejeição a um candidato que tivesse o apoio de Temer era o mesmo (87%).

Outro que serve como “cabo eleitoral às avessas” é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).  A grande maioria dos eleitores (64%), não votaria em um presidenciável apoiado pelo tucano.

O povo quer Lula na urna!

Divulgada uma semana depois do acórdão do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que manteve a condenação do ex-presidente, a pesquisa mostra que, apesar da perseguição políticada condenação sem provas, e do que tentam fazer alguns juízes e desembargadores, o povo quer Lula na urna!

Tanto que o percentual de eleitores e eleitoras que afirma não saber em quem votar ou que declara voto branco ou nulo sobe de 16% para 28% caso Lula seja impedido de se candidatar. Se somado ao número de indecisos, o total dos que deixam de escolher um candidato chega a 36%.

*

Foram realizadas 2.826 entrevistas pelo instituto DataFolha em 174 municípios brasileiros entre os dias de 29 e 30 de janeiro. Os resultados apresentam margem de erro de dois pontos para cima ou para baixo. A pesquisa foi registrada no TSE com o número BR 05351/2018.

 

Fonte: Agência PT de Notícias


Jeová Alencar é reeleito presidente da Câmara com apoio de petistas

Thumb elei%c3%a7%c3%a3o c%c3%a2mara municipal Publicada em 16/11/2017, 12:34

Após requerimento, apresentado pelo vereador Edilberto Borges, o Dudu (PT), que pedia a antecipação, em 13 meses, da eleição na Câmara Municipal de Teresina, nesta quinta-feira, 16, por unanimidade, foi reeleito para o biênio 2019/2020 o vereador Jeová Alencar (PSDB).

O resultado, favorável ao requerimento apresentado pelo vereador Dudu (PT), não deve ter agradado ao prefeito da capital, Firmino Filho (PSDB). Segundo informações que circulam nos bastidores, o gestor municipal teria orientado a base aliada para não comparecer a eleição, pois sua intenção era indicar outro vereador para o cargo.

Segundo o vereador Dudu (PT), a antecipação da eleição teve a intenção de “evitar interferências externas, oriundas das eleições de 2018”, pontua. Quem também apoiou a reeleição de Jeová Alencar foi o vereador Deolindo Moura (PT), que passa a integrar a mesa diretora. 

Confira composição:

Presidente: Jeová Alencar (PSDB)

Vice: Major Paulo Roberto (SD)

2° vice Zé Nito (PMDB)

1° secretário  Fábio Dourado (PEN)

2° secretário Cida Santriago (PHS)

3° secretário Italo Barros (PTC)

4° secretário Deolindo Moura (PT)

5° secretário Dr Lázaro Carvalho (PPS)

6° secretário Venâncio (PP)

Corregedor: Enzo Samuel (PCdoB)

Ouvidor: Edilberto Borges - Dudu (PT)

Abaixo as listas dos parlamentares que compareceram a sessão e a de faltosos:

- Presentes

Caio Bucar (PSD), Deolindo Moura (PT), Dudu (PT), Enzo Samuel PCdoB), Fábio Dourado (PEN), Gustavo Gayoso (PTC), Gustavo Carvalho (PEN), Ítalo Barros (PTC), Joaquim do Arroz (PRP), Zé Nito (PMDB), Dr. Lázaro (PPS), Venâncio Cardoso (PP), Luís André (PSL), Major Paulo Roberto (SD), Cida Santiago (PHS), Teresa Britto (PV), Jeová Alencar (PSDB).

- Ausentes

Edson Melo (PSDB), Graça Amorim (PMB), Inácio Carvalho (PP), Joninha (PSDB), Luiz Lobão (PMDB), Marcos Monteiro (PRTB), Neto do Angelim (PSDC), Nilson Cavalcante (PTdoB), Pedro Fernandes (PRP), R. Silva (PP), Teresinha Medeiros (PSL), Valdemir Virgino (PRP), todos da base de Firmino Filho (PSDB).



Fonte: Geísa Chaves


Lula mantém liderança em última pesquisa de 2017

Thumb lula1 Publicada em 02/01/2018, 09:38

O ex-presidente Lula aparece na frente da disputa das eleições presidenciais de 2018, com 29,2% das intenções de voto, em uma pesquisa divulgada pelo Instituto Paraná Pesquisas, a última realizada em 2017. Depois de Lula, estão os nomes de Jair Bolsonaro em segundo, com 21,1%; Marina Silva (Rede), com 8,6%, Geraldo Alckmin (PSDB), com 7,9%, Joaquim Barbosa (6,8%), Ciro Gomes (PDT), com 5,2% e Alvaro Dias (Podemos), com 3,5%.

Os dados publicados pelo Instituto Paraná demonstram a liderança consolidada e em ascensão de Lula nas pesquisas realizadas ao longo de 2017, pelos mais diversos institutos do país. Em um cenário nacional de processos e julgamentos politizados com a intenção de impedir o ex-presidente de concorrer nas eleições, a resposta popular mostra amplo apoio a Lula.

O Instituto Paraná Pesquisas ainda perguntou aos eleitores qual seria o nome do candidato com mais chances de voto caso Lula não possa se candidatar. Neste caso, o nome da ex-presidenta Dilma Roussef aparece em primeiro lugar, sendo citada por 28,3% dos entrevistados.

A pesquisa foi realizada em 164 municípios brasileiros entre os dias 18 e 21 de dezembro, com participação de 2.020 pessoas. A margem de erro é de dois pontos percentuais. No site do instituto é possível conferir sua íntegra.

 

Fonte: pt.org.br


Lula cresce mais e lidera em todos os cenários, aponta Datafolha

Thumb lulala Publicada em 04/12/2017, 09:51

A liderança de Lula na preferência do eleitorado continua alta, comprova a última pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (2).

A opção pelo ex-presidente se mostra cada vez mais sólida nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2018, crescendo nas simulações de segundo turno contra todos os adversários testados.

Nos cenários de primeiro turno, Lula mostra liderança de até 37% dos votos declarados, o que significa um crescimento de pelo menos 7 pontos percentuais em relação à medição realizada pelo mesmo instituto em junho, quando o ex-presidente alcançava 30% das intenções.

Ou seja, mesmo após a condenação injusta e sem provas pelo juiz Sérgio Moro, em julho, Lula continua a crescer aos olhos do eleitorado.

As informações demonstram reconhecimento popular da integridade do projeto político do PT para o país, que se sustenta a despeito dos ataques que o partido vem sofrendo e da injusta condenação proferida contra Lula.

Foram realizadas 2.765 entrevistas pelo instituto em 192 cidades do país entre os dias de 29 e 30 de novembro. Os resultados apresentam margem de erro de dois pontos para cima ou para baixo.

Crescimento em todos os cenários do segundo turno

Quando colocado em uma disputa de segundo turno contra seus adversários, Lula apresenta expressiva vantagem sobre o segundo colocado em todos os confrontos propostos pela pesquisa.

O ex-presidente se fortaleceu, mostrando crescimento em cada uma das simulações, nas quais ganhou vantagem em relação às ultimas medições, ampliando sua vantagem na corrida presidencial.

Os números apresentados nas situações sugeridas de segundo turno foram: contra Alckmin, Lula venceria por 52% a 30%. Contra Marina, 48% a 35% e contra Bolsonaro 51% a 33%.

Os números a favor do ex-presidente mostram que seu legado resiste às agressões cometidas contra ele, além de comprovarem também uma resistência da população frente ao desmonte de direitos que a população sofre sob o governo Temer, que se utiliza de medidas que trazem somente retrocesso ao país, sendo fortemente denunciadas e renegadas por Lula.

 

Fonte: pt.org.br


Dilma Rousseff: O ano da reconquista e da eleição livre

Thumb dilma Publicada em 02/01/2018, 10:10

Que 2018 seja o ano em que estaremos unidos pela recuperação do Brasil.

Que 2018 seja o ano da reconquista da democracia, da força do voto para garantir os nossos direitos.

Que em 2018 tenhamos uma eleição realmente livre. Livre de exclusões, livre de manobras políticas e judiciais com o objetivo de interditar candidatos.

Que em 2018 o presidente Lula possa concorrer. Que tenhamos força e unidade para construir um país melhor, ampliando de novo as oportunidades para todos, em uma sociedade sem intolerância, sem misoginia e sem homofobia.

Um país mais civilizado, com valores éticos e morais baseados na valorização da cooperação e não da concorrência; um país realmente democrático.

Um 2018 de conquistas e vitórias para todas as brasileiras e todos os brasileiros.

DILMA ROUSSEFF

Presidenta eleita do Brasil

 

Fonte: pt.org.br


Lula: “Com a ajuda do povo posso consertar este país outra vez”

Thumb geisa1 Publicada em 07/02/2018, 11:39

Em entrevista concedida na manhã desta terça-feira (6) ao jornalista Geraldo Freire, da Rádio Jornal de Pernambuco, o ex-presidente Lula mais uma vez defendeu a atuação de uma Justiça imparcial e que a única maneira de tirá-lo do cenário político é durante a disputa eleitoral de outubro.

“Só há um jeito de me derrotarem: disputem as eleições comigo. Eu perdi três eleições e não reclamei. Não tentem ganhar no tapetão porque eu vou brigar até as últimas consequências”, afirmou.

Em cerca de uma hora, Lula discorreu também sobre temas como a relação com o Nordeste, as propostas para o futuro do país, as possíveis conciliações partidárias e os problemas da condenação sem provas imposta em segunda instância pelo TRF-4 no dia 24 de janeiro, em Porto Alegre.

Sempre tranquilo, Lula foi enfático ao dizer que o julgamento do caso triplex deveria ter sido baseado somente em provas. “Eu imaginava que quando eu fosse para a segunda instância ela serviria para corrigir os equívocos dessa injustiça. Eu fiquei pasmo quando vi na segunda instância os juízes mais preocupados em salvar a cara da mentira contada na primeira instância do que estudar os autos do processo e me absolver.”

Quando perguntado se ainda tentará recorrer da decisão, Lula foi claro: “Quando a gente é inocente, a gente não se curva. Quando a gente é inocente, a gente tem que ficar indignado. E eu sou um cidadão indignado”.

Para o ex-presidente, não se curvar a uma decisão agora vai além de fazer justiça. “De onde eu vim a gente tem honra. E se eu disser que eu respeito a decisão, a minha bisneta quando tiver 10 anos de idade vai me acusar de covarde”, completou.

A seguir, confira os principais trechos da entrevista:

Futuro político

“Eu tinha medo do segundo mandato. Eu sempre tive a preocupação de frustrar a sociedade de não poder fazer melhor do que o primeiro. E, com a ajuda de Deus e do povo brasileiro, eu consegui fazer o segundo mandato infinitamente melhor do que o primeiro. Nós conseguimos fazer com que o povo brasileiro recuperasse o orgulho de ser brasileiro. Recuperasse a autoestima. O Brasil passou a aumentar salário, a distribuir renda, a ter no comércio varejista um crescimento extraordinário, no setor de habitação um crescimento extraordinário, na construção civil, na indústria naval.”

Nordeste

“O povo nordestino, pela primeira vez, teve a possibilidade de não ser tratado como o lugar da mortalidade infantil, da fome, da evasão escolar. O povo nordestino passou a perceber que o Nordeste fazia parte o Brasil e que o progresso estava chegando na região.”

Novas propostas

“Eu tenho a consciência de que eu posso, com a ajuda do povo brasileiro, outra vez consertar este país. Fazer este país voltar a crescer, gerar renda, gerar emprego, gerar salário e não jogar a culpa da desgraça do Brasil em cima da legislação trabalhista ou em cima dos aposentados.

Porque, se fosse assim, no tempo da escravidão o Brasil seria maravilhoso. E não era. Então é preciso parar com essa bobagem, com essa cretinice de um certo tipo de gente da elite brasileira de que o povo tem que voltar a trabalhar como escravo, trabalhar por conta da refeição, receber apenas as horas que trabalha, não ter férias. Não é possível que a gente tenha gente pensando assim no Brasil.

“Quanto mais tranquilidade você der ao povo brasileiro, quanto mais chance de trabalhar, quanto mais chance de comer ele tiver, menos violência a gente vai ter, mais otimismo a gente vai ter e o país vai parar de ter este clima de ódio que está espalhado por todas as regiões do Brasil.”

Lei da Ficha Limpa

“A Lei da Ficha Limpa não foi feita para inimigos. Ela foi feita para o Brasil. Se eu tiver cometido um crime, eu não posso escapar dela ou de qualquer outra lei. A única coisa que eu quero é que eles provem o crime que eu cometi. Eu só quero que eles parem de mentir a meu respeito e mostre ao povo brasileiro qual foi o crime que eu cometi.”

Triplex

“Eu acabo de ser condenado por um apartamento que não é meu e que eu não comprei. O próprio juiz Moro reconhece que o apartamento não é meu, que não tem dinheiro da Petrobras, mas ele me condena e agora coloca em leilão. Sabe, são essas coisas absurdas que nenhum advogado de bom senso pode entender. Porque, se eu comprei este apartamento, tem que ter uma escritura. Tem que ter alguma coisa. A verdade vai prevalecer no final.”

Orgulho de ser brasileiro

“A palavra fugir não existe na minha vida. Eu sou cidadão brasileiro. Tenho orgulho de ser brasileiro. Escapei da fome até cinco anos de idade. Porque para um nordestino que nasce na miséria que eu nasci a chance de sobreviver é muito difícil e eu sobrevivi. Então eu vou encarar qualquer cidadão de cabeça erguida, mas eu tenho certeza, eu tenho fé que a verdade vai vir à tona.”

Auxílio-moradia

“Você não pode fazer um concurso, ganhar 30 mil reais e ganhar auxílio-moradia. Aliás, agora eu aprendi uma nova. O povo brasileiro que não tem aumento de salário, por favor, faça como o Moro: requeiram auxílio-moradia. Ou façam como os procuradores. Como é que pode alguém que ganha 30 mil por mês requerer auxílio-moradia?”

Futuro na Justiça

“Eu sou homem que aprendi ao longo da minha vida a não ter raiva. Eu durmo todo dia tranquilo. O que vai acontecer comigo só Deus sabe. Eu estou muito tranquilo. Moro no mesmo lugar há 20 anos. Vou continuar a dormir no mesmo quarto toda noite. Vou recorrer de todos os processos. Vou continuar acreditando no Poder Judiciário.

“Mas é importante saber que no poder Judiciário tem muita gente honesta e trabalhadora e tem muita gente que utiliza o seu cargo como se fosse um dirigente partidário. Se alguém quiser política, larga a profissão, entra num partido político e vai ser candidato a alguma coisa. O que eles não podem é tentar me destruir com mentiras.”

Ligação com Pernambuco

“Vocês sabem o crime que eu cometi em Pernambuco: fazer este povo pobre comer, fazer o pobre ter orgulho na vida, fazer ele se sentir cidadão ou cidadã, fazer gente da periferia de Pernambuco que jamais pensou em concluir o segundo grau estar fazendo universidade, fazer as pessoas terem trabalho com carteira profissional assinada, legalizar a vida das empregadas domésticas. Este é o crime que eu cometi. Ver a transposição do Rio São Francisco. Uma coisa prometida desde o tempo do Imperador e ninguém fez.”

Popularidade

“Eu tenho uma relação verdadeira com o povo brasileiro. Eu tenho uma coisa que eu dizia na porta de fábrica em 1978 e em 1980: a única coisa que eu tenho medo na vida é mentir para as pessoas que acreditam em mim. Esse compromisso eu fazia na porta de fábrica às 5 da manhã, 11 da noite, meio-dia. E eu não posso trair esse povo que um dia teve coragem e a consciência política de votar num metalúrgico, quase que analfabeto, acreditando que este metalúrgico poderia fazer por ele o que os doutores nunca fizeram. Por que o povo acredita em mim? Porque o povo sabe que eu não sou um presidente. Eu sou um deles.”

Perseguição política

“Qual o político que resistiria ao massacre de 12 anos que eu estou sofrendo? Qual político resistiria a mais de 35 horas de ‘Jornal Nacional’ fazendo matéria negativa, a mais de 60 capas de revista, a mais de mil páginas de jornais? Me diga, qual político resistiria?”

Próximos passos

“A única coisa que eu vou fazer na vida é provar que estou sendo vítima de uma injustiça e que o crime que eu cometi foi fazer que as pessoas do andar de baixo subissem um degrau, uma escada de justiça social. Este foi o grande crime e tem gente que não aceita.”

Sem raiva

“Eu não fico com raiva. Eu fico com pena. Eu conheço muitas histórias contadas por advogado de pessoas que são presas e a primeira coisa que eles recebem é uma orientação para falar do Lula. Qual é a grande mentira que eles contam? É que o Lula sabia. É como se fosse possível eu, aqui de São Paulo, saber o que você está fazendo.

“Um tempo atrás houve um processo sobre a venda de sentenças do poder judiciário. Sabe qual foi a defesa que absolveu os juízes? Que eles não poderiam saber o que estava acontecendo na sala ao lado. E eles querem que eu saiba o que está acontecendo no Acre, no Rio de Janeiro, na Bahia, em Pernambuco, na Bahia, no Sergipe.”

Relação com a imprensa

“Eu não sou censor. Eu acho que quem tem que censurar é o telespectador, é o ouvinte, é o leitor. A única coisa que eu vou propor é um processo de democratização dos meios de comunicação. Tentar criar condições para que os meios de comunicação sejam mais democráticos. Inclusive chamá-los todos para participar de um congresso ou uma conferência que eu quero fazer.

“E eu tenho dito: eu não quero uma imprensa como a cubana, como a chinesa. Eu quero uma imprensa como a inglesa, a americana, a alemã, em que o dono dos meios de comunicação não são donos da verdade. Ele não pode mentir. Ele não pode usar os meios de comunicação para fazer política para destruir alguns e beneficiar outros.”

 

Fonte: Agência PT de Notícias


Bancada critica farsa judicial e reitera pré-candidatura de Lula

Thumb geisa3 Publicada em 07/02/2018, 11:55

A abertura dos trabalhos legislativos no Congresso Nacional na segunda-feira (5), foi marcada pela combatividade da oposição e pelo fiasco governista.

Sem a presença de Temer,  com pouco mais de 50 parlamentares da base presentes e em clima de velório, o representante do governo leu a mensagem oficial – um rosário de mentiras sobre a situação do País. Já a bancada petista, no plenário do Senado Federal denunciou o golpe, alertou para o desastre da economia, convocou o povo à luta e reafirmou o direito do ex-presidente Lula concorrer nas próximas eleições.

A senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) destacou que os golpistas “estão apavorados com a nossa resistência, com a nossa firmeza, com a causa que nós temos”. “Se efetivamente são democratas, se acreditam na democracia que cultivaram, a partir do Pacto de 88, defendam que o Lula seja candidato”, questionou a presidenta nacional do PT.

“Além das regras constitucionais e legais estarem sendo rasgadas, o nosso povo está sofrendo: com o desemprego, com a fome e pela não retomada do crescimento econômico. Tudo o que foi prometido por quem está hoje no governo e não entregou.”

“Querem derrotar Lula? Derrotem Lula, pois é da regra do jogo dessa democracia que tivemos a partir de 88, mas nas urnas”, afirmou Gleisi Hoffman.

Já o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) deixou claro que o partido não tem nenhum “plano” alternativo ao ex-presidente. “Os senhores achavam o quê? Achavam que era isso? Condenava no TRF-4, iam dizer para o povo: ‘olha, Lula não é mais candidato.’ E nós íamos aceitar? Não, nós não vamos aceitar. O Lula continua sendo o nosso candidato”, disse.

Segundo ele, “nós não temos plano B. O Lula é plano A, B, C, D, E, F, G. Nós vamos insistir, inclusive porque o processo de candidatura da Justiça Eleitoral não tem nada a ver com o processo criminal”.

“Nós não vamos chegar aqui mansos neste início de trabalho. Nós estamos defendendo a democracia, nós estamos defendendo a legalidade democrática. São eles que estão rompendo.”

“Se, de fato, a maioria dos brasileiros não quiserem [Lula], nas urnas, ele vai aceitar o resultado. O que não pode é um jogo de cartas marcadas”, advertiu o senador Jorge Viana (PT-AC). “Começou com o impeachment, com uma desmoralização permanente. Chega agora em um julgamento que é uma farsa. É uma farsa”.

Para Viana, as pessoas dizem que temos que respeitar os juízes . “Eu respeito”, destacou ele, “respeito a Polícia Federal, o Ministério Público. Todos nós devemos respeito. São instituições. E mais ainda o Judiciário”, disse. “Mas acho que eles não estão se dando ao respeito. Eles é que estão desrespeitando as leis que nós fizemos, a Constituição que nós juramos e o próprio Judiciário”, informou Jorge Viana.

A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) acredita que a condenação do ex-presidente Lula pelo TRF-4, em Porto Alegre, naquele fatídico dia 24, foi a confirmação de algo que já havia sido anunciado pela imprensa.

Fátima afirmou que causa “indignação, mas, ao mesmo tempo, dói muito ver, repito, setores do sistema de Justiça do nosso País se prestarem a um papel desses: uma condenação de natureza exclusivamente política, que faz parte do script do golpe de Estado consumado em 2016, infelizmente, pela maioria do Parlamento brasileiro”. Fátima ressaltou que a condenação “não se sustenta do ponto de vista técnico, jurídico.”

A senadora Regina Sousa (PT-PI) registrou que, por onde anda, a população comenta sobre a parcialidade do Judiciário. “Aquele voto combinado dos juízes foi escandaloso! Um deles, praticamente, disse que não tinha lido o processo; ele disse que formou seu voto ouvindo os seus pares, sequer prestou atenção à defesa. Então, foi um teatro”, disse ela.

“A gente vai continuar. Para esse pessoal, a gente diz que vai continuar com Lula. Não tem plano ‘A’. Não tem plano ‘B’. De ‘A’ a ‘Z’, é Lula. Eles estão querendo ganhar por W.O., mas vai ser muito difícil. E a gente vai mobilizar o povo, coisa que eles não sabem. Aquelas camisas da CBF já sumiram, já se esgotaram”, informou Regina Sousa.

“Nós temos que denunciar inclusive internacionalmente, porque verdadeiros julgamentos de exceção estão acontecendo no Brasil”, sentenciou o senador Paulo Rocha (PT-PA). “E não venham pedir, para nós, comportamentos outros que não sejam a resistência e o confronto com essas injustiças que estão acontecendo em nosso País e a quebra da democracia”, reafirmou o senador.

“Somos agentes – a nossa geração – da construção da democracia brasileira e o que queremos é avançar mais ainda na construção de uma democracia plena e radical que assegure o direito para todos”, disse Paulo Rocha.

Por PT no Senado

 

Fonte: pt.org.br


CUT/Vox Populi: Lula, o melhor e mais admirado presidente do Brasil

Thumb lula 2018 Publicada em 22/12/2016, 13:23

Para 43% dos brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva foi o melhor presidente do Brasil. O dado foi revelado em pesquisa  CUT/Vox Populi divulgada nesta quinta-feira (22). Além disso, 33% dos entrevistados afirmaram admirar/gostar muito do petista.

Ainda de acordo com os dados, apenas 13% dos entrevistados escolheram Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como melhor presidente.

O levantamento aponta que 96% dos brasileiros responderam que ficaram sabendo que Lula foi indiciado pelos procuradores da Operação Lava Jato.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, os resultados da pesquisa CUT/Vox Populi mostram que “os brasileiros, mesmo os mais pobres e simples, têm discernimento, refletem e julgam racionalmente, não se deixam influenciar pela avalanche de denúncias sem provas e sensacionalismo da mídia conservadora”.

Para a CUT/Vox Populi, 56% dos brasileiros disseram que Lula fez mais coisas certas do que erradas (35%). E 58% dos entrevistados disseram que suas vidas melhoraram nos governos do PT.

 

Eleições 2018
Na mesma pesquisa divulgada nesta quinta, Lula está à frente de todos os concorrentes em todas as simulações feitas no primeiro e no segundo turnos das eleições presidenciais de 2018. Lula tem 31% das intenções de voto espontâneas.

Bem atrás do ex-presidente, vem Aécio Neves (PSDB), com 5%; Marina Silva (Rede-AC), 4%; o ex-presidente FHC, 3%; e Alckmin, com 2%.

Na estimulada, Lula também ganha de todos. Tem 37% contra Aécio, que atinge 13%; tem 38% contra Alckmin, que atinge 12%; Marina atinge somente 10%.

Nas simulações de segundo turno, Lula também está à frente de todos. Tem 43% contra Aécio (20%); 45% contra Alckmin (20%) e 42% contra a Marina, que tem 21% das intenções de votos para 2018.

A Pesquisa CUT/Vox Populi ouviu 2.500 pessoas com mais de 16 anos, em 168 munícipios brasileiros. A margem de erro é de 2%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

*Da CUT


Pesquisas fortalecem Lula e candidatura é juridicamente viável

Thumb eleicao Publicada em 16/05/2018, 13:44

Líder com folga em todas pesquisas de intenção de voto recentes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê crescer, mesmo aprisionado, o sentimento de injustiça em relação a sua condenação. Segundo pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira (14), Lula tem 32,4% das preferências. O Poder Judiciário tem a confiança de 6,4% dos entrevistados (89,3% acham o Judiciário pouco ou nada confiável). E mídia tem a confiança de apenas 5%.

A presidenta nacional do PT, a senadora paranaenseGleisi Hoffmann, recebeu aval do ex-presidente Lula para falar em seu nome e comandar a montagem da campanha presidencial. A indicação da pré-candidatura foi feita de maneira unânime pelo partido em 25 de janeiro, um dia depois da condenação política do ex-presidente pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre).

Na ocasião, o advogado Luiz Fernando Pereira, especialista em legislação eleitoral, já afirmava que não há como impedir antecipadamente o registro da candidatura, que será feito em 15 de agosto. Segundo ele, a condenação criminal diz que a suspensão dos direitos políticos só tem efeito depois do trânsito em julgado. “Ou seja, o presidente está em pleno gozo dos direitos políticos. A chance vai depender do que vai acontecer de hoje até o momento do registro da candidatura”, argumentou Pereira.

Segundo o especialista, mais de 140 candidatos a prefeito em 2016 disputaram eleições sob efeito de condenações inconclusas e muitos deles conseguiram assegurar sua posse após o trânsito de seus recursos.

Na sexta-feira (11), durante ato na Vigília Lula Livre, e Curitiba, Gleisi reforçou que “Lula está firme, disposto e manda avisar que é candidatíssimo”. A presidenta do PT reiterou ainda as garantias legais que asseguram a candidatura do ex-presidente.

“Lula está com seus direitos políticos intactos. A Constituição só suspende os direitos políticos de uma pessoa se o julgamento em que foi condenada for reafirmado na última instância, que é o Supremo Tribunal Federal. E isso não aconteceu com ele. Só o TRF4 que julgou”, afirmou a senadora. “Até os adversários dele acreditam que os recursos de Lula farão com que o processo seja revisto, quando for analisado o mérito.”

Respaldo jurídico

Com dezenas de pareceres semelhantes ao de Pereira, jamais contestados juridicamente, a decisão tomada foi mantida mesmo depois de Lula ter sido preso, em 7 de abril. Sem argumentos jurídicos, os principais veículos de comunicação do país tentam desqualificar politicamente em seu noticiário a liderança de Lula, apostando em seu isolamento e tentando alimentar teses em contrário dentro da própria esquerda.

Alguns defendem que Lula deveria desistir desde já para que se construa um novo nome dentro do partido, ou mesmo que o partido adira à candidatura de Ciro Gomes (PDT), o mais bem posicionado da centro-esquerda nas pesquisas recentes.

Essa tese, porém, não prosperou. Tanto no PT, internamente, como entre aliados como PCdoB e Psol – que têm os pré-candidatos à Presidência Guilherme Boulos e Manuela D’Ávila – prevalece a defesa da candidatura. O entendimento é de que o nome de Lula une as forças progressistas, tem condições de liderar a construção de um programa de restauração da democracia e da economia e de que a defesa de sua candidatura é também uma das principais armas na luta pela liberdade do ex-presidente.

O também advogado Luís Antônio Albiero divulgou um “beabá” com 10 respostas a questões políticas e jurídicas em torno da candidatura. A RBA reproduz a seguir os principais trechos:

1. Lula está inelegível? Ou ele pode ser candidato?

Ele ou o partido podem pedir o registro de sua candidatura. Só depois disso a Justiça Eleitoral poderá se pronunciar sobre sua elegibilidade ou não.

2. Mas a candidatura dele não pode ser impugnada?

A candidatura pode ser impugnada, mas, apresentada qualquer impugnação, ele terá prazo para se defender, para apresentar suas razões.

3. E é possível prever o resultado?

É possível que a candidatura seja indeferida pelo TSE. Porém, ele poderá recorrer.

4. Mas as decisões do TSE não são irrecorríveis?

Sim, é o que, de modo geral, dizem a Constituição e o Código Eleitoral. Mas a Constituição prevê a possibilidade do Recurso Extraordinário ao STF se, e apenas se, for para discutir uma questão constitucional.

5. E o que seria essa “questão constitucional”?

Nesse caso, a questão constitucional é justamente a que diz respeito à condição de elegibilidade de Lula. A Constituição prevê que ninguém terá seus direitos políticos cassados, em nenhuma circunstância, e ninguém perderá seus direitos políticos ou os terá suspensos senão após o trânsito em julgado de sentença criminal condenatória.

O artigo 14 da Constituição, no seu parágrafo 3º, estabelece que é condição de elegibilidade, dentre outras, “o pleno exercício dos direitos políticos” (inciso II). Logo, a lei inferior (“ficha limpa”) não pode restringir as condições de elegibilidade de quem esteja em pleno gozo dos direitos políticos.

O artigo 15 da Constituição, por sua vez, estabelece que “é vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos” previstos nos seus incisos, entre os quais a “condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos” (inciso III).

Logo, não pode a lei ordinária, como é a Lei da Ficha Limpa, nem qualquer juiz ou tribunal, restringir a elegibilidade de quem ainda não teve a decisão transitada em julgado, como é o caso de Lula.

6. Mas, enquanto o processo corre, como fica a campanha de Lula?

Enquanto a questão estiver sub judice, ou seja, enquanto estiver sendo avaliada pelos tribunais, e até que transite em julgado a decisão da Justiça Eleitoral, ele poderá fazer a campanha normalmente, inclusive aparecendo no horário eleitoral gratuito e participando de debates e entrevistas.

O artigo 16-A da Lei Eleitoral (lei 9.504/97) estabelece que “o candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior”.

7. Mas e se a decisão desfavorável ao presidente Lula tornar-se definitiva antes da eleição, o que acontecerá?

Os partidos poderão substituir candidatos até 17 de setembro. Se ocorrer o trânsito em julgado da decisão da Justiça Eleitoral desfavorável a Lula antes dessa data, o partido o substituirá e haverá mais de 20 dias pela frente para a propaganda do novo candidato. Mas dificilmente o trânsito em julgado ocorrerá antes da eleição, por conta das atribuições do TSE, primeiro, e do STF, depois, além dos próprios prazos concedidos pela lei.

8. E se Lula for eleito e essa decisão definitiva vier a ocorrer no futuro, reconhecendo sua inelegibilidade?

Se de fato ocorrer o pior, ou seja, se Lula vier a ser declarado definitivamente inelegível, ou vier a ter cassado o diploma ou o próprio mandato, de modo que isso venha a ocorrer quando e se ele já estiver eleito, a lei eleitoral prevê que haverá nova eleição.

O parágrafo 3º do artigo 224 do Código Eleitoral estabelece que “a decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento do registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de candidato eleito em pleito majoritário acarreta a realização de novas eleições, independentemente do número de votos anulados”. Ou seja, se isso acontecer depois de Lula eleito, em qualquer momento, haverá nova eleição.

9. Mas e se o impedimento definitivo vier a ocorrer depois do primeiro turno, porém antes do segundo?

Haverá um período de tensão entre a data limite para substituição de candidaturas, 17 de setembro, e o dia da eleição em primeiro turno, 7 de outubro. Assim como, se Lula não estiver eleito já no primeiro turno, desse dia até o dia da realização do segundo.

Por isso, o partido deverá examinar com muito cuidado o que fazer até essa data limite, 17 de setembro – ponderar sobre os prazos processuais, o desenvolvimento dos processos, o desenvolvimento dos trabalhos dos tribunais, o humor na sociedade etc. – para não perder a oportunidade de manter candidatura durante o segundo turno.

Se não houver substituição até 17 de setembro e a decisão definitiva contrária à candidatura de Lula vier a ocorrer antes do primeiro turno, o partido já terá perdido a oportunidade de substituí-lo. Se ocorrer depois do primeiro turno, mas antes do segundo, a lei determina que o segundo mais votado disputará com o terceiro o segundo turno.

A lei eleitoral, no artigo 1º, parágrafo 2º, diz que “se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer morte, desistência ou impedimento legal de candidato, convocar-se-á, dentre os remanescentes, o de maior votação”.

10. Qual o caminho a seguir?

O único caminho, neste momento, é registrar a candidatura de Lula em agosto e mantê-la firme durante todo o período da campanha eleitoral. No dia 17 de setembro, o partido deverá avaliar as condições objetivas de levá-la adiante.

Da RBA

 

Fonte: pt.org.br